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Enem 2026 estreia apoio emocional e novas regras de acessibilidade
Exame inclui acompanhante, cães de suporte e novas condições de saúde
08/11/2026 12h17
Por: Robson Silva De Jesus Fonte: Agência Brasil

Pela primeira vez, participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com histórico de crises de ansiedade ou Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) poderão contar com acompanhante ou cão de apoio emocional no momento das provas.

O atendimento especializado precisa ter sido solicitado no momento da inscrição e aprovado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) , responsável pela aplicação do Enem.

De acordo com o edital desta edição , a medida inédita se aplica a outros casos de alterações emocionais e prevê que o acompanhante fique em uma sala reservada, monitorada por fiscais, para casos de necessidade de apoio ou estabilização do participante.

O ministro da Educação, Leonardo Barchin, em entrevista à Agência Brasil destacou a relevância dessa possibilidade da presença de um acompanhante familiar durante a aplicação do exame.

“Se tiver o laudo adequado e a solicitação aprovada, se esse candidato, por exemplo, precisar ir ao banheiro, se houver outra necessidade, terá um acompanhante familiar. Este apoio emocional é muito importante.”

“O Enem deve ser acessível e cada vez mais inclusivo. Todos os anos, a gente evolui nessa questão.”

A aplicação neste domingo (8) tem 138.329 solicitações de atendimento especializado confirmadas pelo Inep. Outra novidade deste ano é a inclusão de candidatos com fibromialgia entre as condições que motivam a solicitação de atendimento especializado e/ou de recurso de acessibilidade.

Acolhimento

Uma das solicitantes de atendimento especializado nesta edição é Maria Clara Gonçalves, de 18 anos, moradora de Cotia (SP). A estudante do 3º ano do ensino médio tem Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). O diagnóstico ocorreu entre os 14 e 16 anos, impulsionado pela percepção de dificuldades acentuadas nos estudos.

Para ela, o ideal é que pessoas como ela, respondam às questões do Enem em salas reduzidas, minimizando distrações ambientais causadas pelo ruído e movimentação de outros candidatos.

“Para mim, como neurodivergente, é muito difícil estar em uma sala com outras pessoas ao meu lado, porque eu estou olhando, presto atenção no que estão falando. Gosto de ter salas com menos pessoas. Pessoas que também tem TDAH vão entender.”

A jovem fará a prova para tentar uma vaga em um curso de medicina e, no futuro, visa a especialização em neurologia.

Outra candidata que já teve a oportunidade de fazer o Enem, em 2017, com atendimento especializado foi Isabella Magalhães, de 25 anos, com diagnóstico confirmado de Transtorno do Espectro Autista, nível 2.

Sobre aquela experiência, aos 16 anos, Isabella conta que não teve grandes dificuldades com as disciplinas do exame, mas, recorda que o principal desafio foi a extensão da prova, além do ambiente com muitas pessoas, ruídos e movimentação.

“Acho muito importante o governo estar sensível a essa questão e olhar para esse público, porque afeta muito nossa experiência. Nem é a dificuldade só da prova, que é difícil para todo mundo, mas do ambiente, do tempo que você fica lá dentro. Então acho que é importante adaptar a prova."

Atualmente, Isabela dedica-se aos estudos para concursos públicos, além de planejar cursar uma segunda graduação em biologia.

Dicas da especialista

Segundo a psicopedagoga, especialista em educação especial e coordenadora da clínica Follow Kids, no Rio de Janeiro, Giselle de Oliveira Araújo, o cérebro tem capacidade de aprender e se adaptar, mas precisa de condições favoráveis para funcionar bem.

"Minha mensagem é que esses estudantes não precisam funcionar como os outros para demonstrar o que sabem. Precisam conhecer suas necessidades e utilizar estratégias que realmente os ajudem.”

A profissional explica que nos neurodivergentes a autorregulação ocorre de maneiras diferentes. “Alguns adolescentes com TDAH podem se beneficiar de pequenos movimentos para recuperar a atenção. Já estudantes autistas podem precisar de estratégias que ajudem a lidar com determinados estímulos sensoriais.”

De forma geral, Giselle aconselha aos candidatos as seguintes estratégias:

De acordo com ela, não há um padrão ou intervalo ideal fixo para pausas estratégicas. O momento de pausar deve ser guiado pelos sinais de sobrecarga, como ler a mesma frase várias vezes ou perder a organização do raciocínio.

Pequenos intervalos para desviar o olhar do papel e respirar ajudam a recuperar a atenção e devem ser testados previamente em simulados.

Os participantes também devem tentar perceber quando devem insistir em uma questão ou quando avançar para a próxima, evitando o desgaste excessivo do tempo de prova.

“O importante é experimentar essas estratégias antes do exame, respeitando as preferências de cada estudante. Não adianta ensinar uma técnica na hora da prova se ele nunca a utilizou ou se ela provoca desconforto."

Por fim, a especialista em educação especial diz que os movimentos devem ser discretos e respeitar as regras da aplicação do Enem.

Atendimento especializado

Nesta edição do Enem, entre as condições que mais motivaram a solicitação de atendimento especializado e/ou de recurso de acessibilidade, estão as de participantes com:

  1. déficit de atenção (51.724, ou 37,39%);
  2. candidatos com Transtorno do Espectro Autista (34.723, ou 25,1%);
  3. baixa visão (9.792 candidatos, 7,04%);
  4. deficiência intelectual (8.922 candidatos, 6,45%).

Já entre os recursos de acessibilidade solicitados no ato da inscrição, destacam-se tempo adicional, com 77.956 solicitações (34,47%); correção diferenciada, com 42.379 (18,74%); e auxílio para leitura, com 28.042 (12,40%).

Os números são do Painel Enem 2026 , que também apresenta outros quantitativos de recursos de acessibilidade, como salas acessíveis, auxílio para transcrição, prova em braile e tradutor-intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras), uso do aparelho auditivo ou implante coclear.

Resenha Enem

No domingo, a partir das 19h30, a Agência Brasil promove a live Resenha do Enem. A transmissão ao vivo contará com professores convidados para comentar as questões e a redação, e poderá ser acompanhada pelo YouTube da Agência Brasil e YouTube da TV Brasil , além das emissoras da Rádio Nacional .