A taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,2% no terceiro trimestre de 2026, o menor percentual já registrado para o período desde o início da série histórica, em 2012. O resultado representa recuo em relação aos 5,4% do segundo trimestre e aos 5,6% registrados no mesmo período de 2025. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A população desocupada foi estimada em 5,6 milhões de pessoas, uma redução de 4% na comparação trimestral, o equivalente a 234 mil pessoas a menos. Em relação ao terceiro trimestre do ano passado, a queda foi de 6,9%, com redução de 417 mil pessoas.
Ao mesmo tempo, o número de pessoas ocupadas chegou a 103,6 milhões, o maior contingente da série histórica. O resultado representa crescimento de 0,6% em relação ao trimestre anterior, com acréscimo de 581 mil trabalhadores, e de 1,2% em 12 meses, o equivalente a 1,2 milhão de pessoas.
Entre as atividades econômicas, a construção civil apresentou uma das principais altas, com avanço de 2,8% na ocupação em relação ao trimestre anterior. O setor incorporou 210 mil trabalhadores. "Entre as atividades com alta na ocupação, destaca-se o crescimento no setor da Construção, que subiu 2,8% no trimestre, com mais 210 mil pessoas ocupadas", afirmou William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE.
O levantamento também registrou recorde no número de empregadores, que chegou a 4,5 milhões. O contingente cresceu 4,3% no trimestre, com mais 184 mil pessoas, e 6,4% em um ano, acréscimo de 272 mil. Para Kratochwill, a expansão desse grupo contribui para a geração de novas vagas.
"Empregadores são multiplicadores de trabalho, visto que o fruto do seu empreendimento gera novas oportunidades. Esses, que por muitas vezes foram trabalhadores por conta própria, conseguiram crescer e ampliar o número de pessoas ocupadas, logo contribuindo também para a redução da desocupação", explicou.
O setor público também atingiu o maior número de trabalhadores da série, com 13,2 milhões de pessoas. O contingente ficou estável na comparação trimestral e aumentou 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, com 317 mil trabalhadores a mais.
Na educação, houve acréscimo de aproximadamente 45 mil pessoas com carteira assinada, principalmente professores da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio. A administração municipal também contribuiu para o resultado, com cerca de 30 mil contratações em funções como escriturários gerais, analistas de sistemas e recepcionistas.
Por outro lado, algumas categorias de ocupação permaneceram estáveis. O número de empregados no setor privado com carteira assinada, sem considerar trabalhadores domésticos, ficou em 39,4 milhões. Os empregados sem carteira no setor privado somaram 13,7 milhões, enquanto os trabalhadores por conta própria chegaram a 26,1 milhões. O contingente de trabalhadores domésticos foi estimado em 5,4 milhões.
Na avaliação de Kratochwill, a estabilidade desses vínculos pode estar relacionada ao período eleitoral. "Essas estabilidades podem indicar que o mercado de trabalho aguardava as possíveis mudanças do pleito eleitoral. Logo, seu rumo será mais bem percebido nas próximas divulgações", disse.
A taxa composta de subutilização da força de trabalho ficou em 13%, praticamente estável em relação aos 12,9% do trimestre anterior. Na comparação anual, houve redução de 0,9 ponto percentual. A população subutilizada foi estimada em 14,8 milhões de pessoas, sem variação significativa no trimestre e com queda de 6,1% em 12 meses.
Já o número de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas chegou a 4,3 milhões, alta de 5,2% no trimestre, com acréscimo de 214 mil pessoas. Em relação ao terceiro trimestre de 2025, houve recuo de 5,4%, o equivalente a 247 mil trabalhadores.
A população fora da força de trabalho somou 66,5 milhões de pessoas, mantendo estabilidade na comparação trimestral e registrando alta de 0,8% em um ano. O contingente de desalentados, pessoas que desistiram de procurar emprego, chegou a 2,5 milhões, o equivalente a 2,2% da força de trabalho. O número cresceu 7,5% no trimestre, com 171 mil pessoas a mais, mas caiu 6,8% na comparação anual.
Segundo Kratochwill, a redução do desalento em relação ao ano passado acompanha a melhora das contratações observada nos últimos trimestres. Ele ressaltou, porém, que houve aumento na comparação com o trimestre encerrado em junho, principalmente entre pessoas com 40 anos ou mais.
O rendimento real habitual dos trabalhadores ficou em R$ 3.790, estável em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, houve crescimento de 3,6%, o equivalente a
R$ 131 a mais. A massa de rendimento real habitual, que corresponde à soma dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores, alcançou R$ 387,5 bilhões, recorde da série histórica. O valor aumentou 1,5% no trimestre, com acréscimo de R$ 5,6 bilhões, e 4,7% em 12 meses, avanço de R$ 17,5 bilhões.
Para Rodolfo Margato, economista da XP, os dados confirmam um cenário de alta empregabilidade aquecido, mas também indicam perda de ritmo em parte dos setores e modalidades de ocupação. Ele avalia que a desaceleração da atividade econômica deve se refletir nos próximos indicadores.
"Os resultados de setembro corroboram nossa visão de mercado de trabalho aquecido, uma vez que a taxa de desemprego se aproximou ainda mais de 5,0%. No entanto, a população ocupada e os salários têm perdido fôlego em diversos setores e tipos de ocupação", afirmou.
A XP projeta que a taxa de desemprego chegue a 5,4% no fim de 2026 e avance para 6,5% ao final de 2027, considerando os dados com ajuste sazonal. A instituição também prevê crescimento de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e de 1% em 2027.
A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, também destacou a resistência do mercado de trabalho diante da desaceleração econômica.
Segundo Claudia, a manutenção do emprego e a expansão da renda sustentam o consumo das famílias, mas também dificultam o controle da inflação de serviços. Por esse motivo, o banco espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% na reunião da semana seguinte e ao longo do restante de 2026.
A Pnad Contínua é realizada em 211 mil domicílios por trimestre, em 26 estados e no Distrito Federal, com uma equipe de cerca de 2 mil entrevistadores distribuídos por mais de 500 agências do IBGE. A próxima divulgação, referente ao trimestre encerrado em outubro, está prevista para 27 de novembro de 2026.