Política “gravíssimo”
Especialista vê possível apoio dos EUA à fuga de Flávio como “gravíssimo”
Professor de Relações Internacionais da UnB avalia que eventual suporte logístico dos Estados Unidos à saída do senador do Brasil seria grave e analisa os impactos diplomáticos do episódio
28/10/2026 21h00
Por: João Araújo Fonte: Correio Braziliense

A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos foi tema do CB.Poder, programa realizado pelo Correio em parceria com a TV Brasília, nesta quarta-feira (28/10). O professor titular do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Goulart, afirmou que ainda é preciso esclarecer se a decisão foi tomada de última hora ou se fazia parte de um plano elaborado para o caso de derrota nas eleições.

O especialista analisou que Flávio Bolsonaro chegou ao país norte-americano “com todo o conforto”. Antes mesmo de o senador entrar com o pedido de asilo, Trump já havia se manifestado que iria conceder green cards para ele, a esposa e as filhas. Para Goulart, se houver a confirmação de que a fuga contou com suporte logístico fornecido diretamente pelos Estados Unidos e seus aliados, o fato será “gravíssimo”, pois confere ao senador o status de protegido político.

No âmbito das relações diplomáticas, Goulart esclareceu que não reconhecer a vitória de um presidente é visto como um ato hostil e considerado uma regra informal. Apesar de Trump ter declarado que gosta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o norte-americano tentou projetar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro ao dizer que “parece que houve fraude”, sem apresentar provas.

O especialista ressaltou às jornalistas Samanta Sallum e Sibele Negromonte que a eleição de Lula não sinaliza uma postura anti-Estados Unidos por parte do Brasil, lembrando que nenhuma política externa adotada pelos governos Lula teve caráter antiamericano.

Eleições do Congresso norte-americano

Durante o programa, Goulart também avaliou que Trump chega às vésperas da eleição do Congresso norte-americano com a popularidade baixíssima. Uma eventual perda de aliados no Congresso na próxima semana, com a perda da maioria, pode enfraquecer Trump e até abrir margem para um processo de impeachment.