Brasil Eleições 2026
Flávio e Lula disputam bandeira da mudança para fisgar eleitor no 2º turno
Na TV, presidente defende mudanças com experiências para avançar, enquanto senador usa vantagem no primeiro turno para argumentar que Brasil já decidiu o que quer
10/10/2026 09h25
Por: João Araújo Fonte: CNN Brasil

O candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam o eleitor nesta reta final da eleição com a promessa de mudança.

Embora recorram à mesma palavra, os dois apresentam caminhos distintos para convencer que representam o futuro do país.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tenta explorar o fato de ter saído à frente nas urnas no primeiro turno e o resultado da eleição para o Congresso para vender a ideia de que representa a mudança que o país já escolheu.

Já o petista, na busca por um quarto mandato, abraça a ideia de que é preciso mudar com experiência.

Na retomada da propaganda eleitoral gratuita neste segundo turno, na sexta-feira (9), as duas campanhas exploraram o mote da mudança nos cinco minutos disponíveis para cada candidato.

No programa de Lula, a mensagem é que a mudança precisa ocorrer com segurança, sem colocar em risco conquistas sociais. O presidente também se apresenta como alguém que reúne experiência para conduzir o país e atender às expectativas de quem deseja avançar.

“Chego na minha última eleição mais pronto do que nunca pra fazer essa mudança no rumo certo”, afirmou Lula, que contou com a participação de jovens parlamentares eleitos e imagens de manifestações pelo país.

O petista também buscou associar a ideia de mudança à continuidade de políticas de seu governo e à preservação de direitos.

“Mudar não é voltar ao passado. Mudar não é perder o que a gente conquistou nem voltar atrás nas conquistas das mulheres e dos trabalhadores. Mudar de verdade é andar pra frente, com a experiência de quem já fez e a fé de quem quer mais”, disse.

Já a propaganda de Flávio Bolsonaro apostou em uma abertura de tom otimista, com a mensagem de que “uma nova luz surgiu em todos os cantos do país” e de que “a mudança já começou”.

A estratégia é associar a candidatura à esperança de um novo Brasil.

O programa explorou os mais de 56 milhões de votos recebidos pelo senador e a eleição de aliados para o Congresso como demonstrações de apoio à mudança defendida pelo candidato.

“A gente não está começando aqui uma nova campanha no segundo turno. A gente está dando o passo final para a mudança que já começou. Porque no primeiro turno o Brasil já decidiu, votou na mudança”, afirmou Flávio.

O senador também associou o resultado das eleições legislativas à possibilidade de aprovar suas propostas de governo, destacando a formação de uma base de apoio no Congresso.

“A mudança é muito maior do que eu”, disse o candidato, ao mencionar a eleição de senadores aliados.

A campanha de Flávio também procurou transmitir a ideia de que a divisão do primeiro turno ficou para trás e que o país agora está unido em torno da mudança.

“Vocês escolheram um novo Brasil, e agora no segundo turno o Brasil não está mais dividido. Tá todo mundo do mesmo lado. O Brasil tá do lado da mudança”, afirmou o senador.

O discurso de união também foi reforçado pelas articulações políticas ao longo da semana. Flávio conseguiu anunciar apoios do Republicanos, do Novo, do Podemos e da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, ampliando a aliança em torno de sua candidatura para o segundo turno.

A mensagem foi reforçada pelo jingle da campanha, que repetiu que o Brasil está “do lado da mudança” e “do lado do Flávio”.

Ataques e propostas

Além de disputar a bandeira da mudança, a propaganda de Lula explorou a promessa de “tesouraço” de Flávio Bolsonaro para associar o senador a cortes orçamentários realizados durante o governo do pai, Jair Bolsonaro.

O programa citou eventuais reduções de recursos para Farmácia Popular, combate ao câncer e financiamento habitacional, além do veto ao reajuste da merenda escolar.

A campanha petista também abordou a flexibilização do acesso a armas durante o governo Bolsonaro, relacionando essa política a riscos para crianças e famílias.

Em resposta aos ataques de Lula, a propaganda de Flávio apresentou um quadro de alerta sobre notícias falsas, no qual procurou rebater a ofensiva petista e afastar o temor de cortes em programas sociais.

O programa questionou se Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida e Bolsa Família seriam extintos. Em todos os casos, a resposta foi que os programas seriam mantidos.

O senador ainda apresentou o “tesouraço” como uma proposta de redução de impostos, e não de benefícios sociais.

“Flávio vai fazer um tesouraço nos impostos. É menos dinheiro para o governo e mais dinheiro para você”, afirmou a narração do programa.

Na apresentação de propostas, Lula reforçou a promessa de acabar com a escala 6x1 sem redução salarial e de zerar impostos sobre alimentos, como carne e frango, e produtos de higiene.

O presidente também se dirigiu aos eleitores que não votaram nele no primeiro turno, prometendo melhores empregos, salários e oportunidades de crescimento.

Flávio, por sua vez, prometeu reajustar o Bolsa Família e permitir que beneficiários consigam emprego sem perder o auxílio.

Também afirmou que pretende reduzir as prestações do Minha Casa Minha Vida e elevar o padrão de atendimento do SUS ao do Hospital Albert Einstein.

Entre as propostas, Flávio defendeu a criação de um voucher-creche, a implantação de uma rede nacional de câmeras de monitoramento, batizada de Smart Brasil, e a criação do Ministério da Prosperidade, voltado à qualificação profissional, ao crédito e ao empreendedorismo.

“Eu vou criar o Ministério da Prosperidade para quem quiser estudar, fazer curso, empreender, ter crédito, abrir o seu próprio negócio, crescer e prosperar”, disse.