O candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputam o eleitor nesta reta final da eleição com a promessa de mudança.
Embora recorram à mesma palavra, os dois apresentam caminhos distintos para convencer que representam o futuro do país.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tenta explorar o fato de ter saído à frente nas urnas no primeiro turno e o resultado da eleição para o Congresso para vender a ideia de que representa a mudança que o país já escolheu.
Já o petista, na busca por um quarto mandato, abraça a ideia de que é preciso mudar com experiência.
Na retomada da propaganda eleitoral gratuita neste segundo turno, na sexta-feira (9), as duas campanhas exploraram o mote da mudança nos cinco minutos disponíveis para cada candidato.
No programa de Lula, a mensagem é que a mudança precisa ocorrer com segurança, sem colocar em risco conquistas sociais. O presidente também se apresenta como alguém que reúne experiência para conduzir o país e atender às expectativas de quem deseja avançar.
“Chego na minha última eleição mais pronto do que nunca pra fazer essa mudança no rumo certo”, afirmou Lula, que contou com a participação de jovens parlamentares eleitos e imagens de manifestações pelo país.
O petista também buscou associar a ideia de mudança à continuidade de políticas de seu governo e à preservação de direitos.
“Mudar não é voltar ao passado. Mudar não é perder o que a gente conquistou nem voltar atrás nas conquistas das mulheres e dos trabalhadores. Mudar de verdade é andar pra frente, com a experiência de quem já fez e a fé de quem quer mais”, disse.
Já a propaganda de Flávio Bolsonaro apostou em uma abertura de tom otimista, com a mensagem de que “uma nova luz surgiu em todos os cantos do país” e de que “a mudança já começou”.
A estratégia é associar a candidatura à esperança de um novo Brasil.
O programa explorou os mais de 56 milhões de votos recebidos pelo senador e a eleição de aliados para o Congresso como demonstrações de apoio à mudança defendida pelo candidato.
“A gente não está começando aqui uma nova campanha no segundo turno. A gente está dando o passo final para a mudança que já começou. Porque no primeiro turno o Brasil já decidiu, votou na mudança”, afirmou Flávio.
O senador também associou o resultado das eleições legislativas à possibilidade de aprovar suas propostas de governo, destacando a formação de uma base de apoio no Congresso.
“A mudança é muito maior do que eu”, disse o candidato, ao mencionar a eleição de senadores aliados.
A campanha de Flávio também procurou transmitir a ideia de que a divisão do primeiro turno ficou para trás e que o país agora está unido em torno da mudança.
“Vocês escolheram um novo Brasil, e agora no segundo turno o Brasil não está mais dividido. Tá todo mundo do mesmo lado. O Brasil tá do lado da mudança”, afirmou o senador.
O discurso de união também foi reforçado pelas articulações políticas ao longo da semana. Flávio conseguiu anunciar apoios do Republicanos, do Novo, do Podemos e da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, ampliando a aliança em torno de sua candidatura para o segundo turno.
A mensagem foi reforçada pelo jingle da campanha, que repetiu que o Brasil está “do lado da mudança” e “do lado do Flávio”.
Além de disputar a bandeira da mudança, a propaganda de Lula explorou a promessa de “tesouraço” de Flávio Bolsonaro para associar o senador a cortes orçamentários realizados durante o governo do pai, Jair Bolsonaro.
O programa citou eventuais reduções de recursos para Farmácia Popular, combate ao câncer e financiamento habitacional, além do veto ao reajuste da merenda escolar.
A campanha petista também abordou a flexibilização do acesso a armas durante o governo Bolsonaro, relacionando essa política a riscos para crianças e famílias.
Em resposta aos ataques de Lula, a propaganda de Flávio apresentou um quadro de alerta sobre notícias falsas, no qual procurou rebater a ofensiva petista e afastar o temor de cortes em programas sociais.
O programa questionou se Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida e Bolsa Família seriam extintos. Em todos os casos, a resposta foi que os programas seriam mantidos.
O senador ainda apresentou o “tesouraço” como uma proposta de redução de impostos, e não de benefícios sociais.
“Flávio vai fazer um tesouraço nos impostos. É menos dinheiro para o governo e mais dinheiro para você”, afirmou a narração do programa.
Na apresentação de propostas, Lula reforçou a promessa de acabar com a escala 6x1 sem redução salarial e de zerar impostos sobre alimentos, como carne e frango, e produtos de higiene.
O presidente também se dirigiu aos eleitores que não votaram nele no primeiro turno, prometendo melhores empregos, salários e oportunidades de crescimento.
Flávio, por sua vez, prometeu reajustar o Bolsa Família e permitir que beneficiários consigam emprego sem perder o auxílio.
Também afirmou que pretende reduzir as prestações do Minha Casa Minha Vida e elevar o padrão de atendimento do SUS ao do Hospital Albert Einstein.
Entre as propostas, Flávio defendeu a criação de um voucher-creche, a implantação de uma rede nacional de câmeras de monitoramento, batizada de Smart Brasil, e a criação do Ministério da Prosperidade, voltado à qualificação profissional, ao crédito e ao empreendedorismo.
“Eu vou criar o Ministério da Prosperidade para quem quiser estudar, fazer curso, empreender, ter crédito, abrir o seu próprio negócio, crescer e prosperar”, disse.