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Direita fecha com Flávio, que amplia alianças para o segundo turno

Podemos, Cleitinho e Augusto Cury aderem ao presidenciável do PL e ampliam o leque de apoios para 2º turno e eventual governo

09/10/2026 às 12h00
Por: João Araújo Fonte: Correio Braziliense
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Direita fecha com Flávio, que amplia alianças para o segundo turno

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ampliou o arco de alianças para o segundo turno e obteve o apoio de toda a direita. Ontem, além do engajamento do Podemos à sua postulação, uniram-se ao governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, e ao presidenciável do Avante, Augusto Cury — terceiro colocado no primeiro turno.

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Dos partidos de direita, apenas o Missão, por ora, não se aliou a Flávio. O ex-presidenciável da legenda, Renan Santos, se mantém na ofensiva contra o senador, assim como o único deputado federal da sigla, Kim Kataguiri (SP). Renan, aliás, tem dado a entender que pode recomendar o voto em Luiz Inácio Lula da Silva neste segundo turno, embora não vá fazê-lo explicitamente. Para isso, tem utilizado símbolos que remetem ao PT — como a cor vermelha — para insinuar que seus eleitores devem optar pela reeleição do presidente.

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O Podemos se une ao Progressistas, ao União Brasil e ao Republicanos como apoiadores de Flávio — o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, trabalham para que o MDB se junte à campanha. A presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, anunciou a adesão após uma reunião com o candidato e parlamentares eleitos, em Brasília.

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Ela afirmou que o partido levou em consideração demandas apresentadas por prefeitos, parlamentares e representantes da população. Disse ainda que o resultado das urnas expressou o desejo por mudança.

"O Brasil deu um recado: o que quer é mudança. Quer mudança e quer voltar a sonhar. Os brasileiros querem voltar a sonhar com um Brasil que olhe para a frente, que faça o empreendedor querer voltar a investir no nosso país, que olhe a dor dos brasileiros e entenda que o problema na vida dos brasileiros é real e muito distante das promessas que vêm acontecendo", explicou.

O Podemos foi uma das siglas que mais avançaram na eleição para a Câmara. Em 2022, havia eleito 12 deputados federais, mmas, agora, serão 27, o que colocou o partido entre as forças da próxima legislatura. Ao agradecer à presidente do Podemos e aos integrantes do partido, Flávio afirmou que pretende incorporar ao programa de governo demandas apresentadas nas negociações.

Divergência sobre a 6 x 1

Já o governador eleito de Minas, Cleitinho Azevedo, confirmou que vai atuar na campanha de Flávio no segundo turno. Mas deixou claro que a aliança eleitoral não significa concordância em todas as pautas. No encontro do presidenciável em Brasília com governadores e senadores eleitos, Cleitinho afirmou que pretende votar a favor do fim da escala 6 x 1 e defendeu que a proposta seja apreciada pelo Senado o quanto antes. A posição é contrária a de Flávio, que não apoia o texto em discussão na Casa e defende uma alternativa baseada em maior flexibilidade na jornada de trabalho. 

Sobre essa divergência, o governador eleito de Minas eleito amenizou. "Sou casado com uma esposa, sou apaixonado por ela, de vez em quando a gente também não concorda um com o outro", para acrescentar que a questão da escala de trabalho seja resolvida antes do segundo turno da corrida presidencial. "Sou a favor de que vote já. Tinha até votado e espero estar como senador para ter o prazer de poder votar", observou. 

Há duas propostas diferentes em discussão no Congresso. A PEC 221/2019, que está atualmente no Plenário do Senado, prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de repouso remunerado e sem redução salarial. É esse texto que Cleitinho defende. Flávio, por outro lado, apoia uma proposta alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha. A PEC 12/2026 prevê maior liberdade para que empregado e empregador negociem a jornada, inclusive com remuneração proporcional às horas trabalhadas. A ideia é preservar a possibilidade de diferentes modelos de contratação em vez de estabelecer constitucionalmente o regime 5 x 2 para todos.

Compromisso escrito

E da mesma forma como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Clariana Barão (Democracia Cristã), outro presidenciável de direita fechou apoio a Flávio: Augusto Cury (Avante). Eles conversaram ontem cedo, por videoconferência, quando acertaram esterem juntos para o segundo turno. O apoio de Cury, porém, não foi incondicional. O presidenciável do PL teve de assuimir um compromisso por escrito em que incorpora propostas que foram defendidas pelo adversário no primeiro turno.

"Eu, Flávio Bolsonaro, consciente da dimensão dos desafios que o Brasil enfrentará nos próximos anos, estabeleço, perante Augusto Cury e a sociedade brasileira, o presente Termo de Compromisso Público com o Brasil, fundamentado na defesa da democracia, na altemância de poder e na pacificação nacional", diz a mensagem, logo no início.

A carta continua frisando que "a confiança manifestada por Augusto Cury decorre da compreensão de que a alternância de poder é o oxigênio para democracia, visto que o atual presidente busca seu quarto mandato, o que para ele, que é contra a reeleição, é inaceitável. Além disso, é necessário se reorganizar o sistema econômico atual, que tem asfixiado o Brasil".