Friday, 09 de October de 2026
31°

Tempo limpo

Brasília, DF

Internacional Nobel da Paz

Nobel da Paz 2026 vai para a jurista sul-africana Navi Pillay

Pillay foi a primeira mulher não branca na Suprema Corte do país, chefia a área de direitos humanos da ONU e presidiu o tribunal que julgou o genocídio em Ruanda

09/10/2026 às 11h00
Por: João Araújo Fonte: Correio Braziliense
Compartilhe:
Nobel da Paz 2026 vai para a jurista sul-africana Navi Pillay

O Prêmio Nobel da Paz 2026 foi concedido à jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos, anunciou o Comitê Noruegues do Nobel, em Oslo, nesta sexta-feira (9/10). Ela foi laureada "pela coragem e integridade excepcionais em sua atuação jurídica e por seus esforços para promover a paz e o direito internacional", afirmou o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes.

Continua após a publicidade
(WordPress, Blogger e outros):

Na decisão, o comitê destacou o papel da jurista para que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio sejam levados a julgamento. Pillay também foi Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Continua após a publicidade
(WordPress, Blogger e outros):

A trajetória de Pillay começou na África do Sul, durante o apartheid, onde ela enfentou discriminação e se tornou advogada. O comitê citou como fio condutor de sua carreira a defesa de Nelson Mandela e de outros opositores do regime segregacionista.

Continua após a publicidade
(WordPress, Blogger e outros):

Ao longo da carreira, atuou em diferentes instâncias nacionais e internacionais ligadas aos direitos humanos. Entre os cargos mencionados estão o de juíza no Tribunal Penal Internacional, uma corte independente que julga crimes contra humanidade e crimes de guerra. Na ONU, ela integra a Corte Internacional de Justiça, principal tribunal da entidade e que resolve disputas entre Estados e preserva o direito internacional.

Mais recentemente, Pillay presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o território palestino ocupado, Jerusalém Oriental e Israel, contratada pela ONU, que determinou que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza durante os dois anos da guerra contra o grupo terrorista Hamas.

"O compromisso de Navi Pillay com os princípios jurídicos universais e sua firme bússola moral são constantes ao longo de sua extensa carreira. Nascida em uma família de origem tâmil indiana, durante o apartheid, em Durban, na África do Sul, Pillay tornou-se advogada e pioneira no campo jurídico, enfrentando a profunda discriminação estrutural, a segregação e a exclusão", afirmou Frydnes.

Pillay foi a 21° mulher a ser laureada com o Nobel da Paz, de um total de 144 vencedores. A jurista sul-africana disse ter ficado surpresa com sua laureação e brincou, de forma irônica, sobre dividir o Nobel da Paz com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em um breve discurso, ela também defendeu os direitos humanos e lembrou que "sua coragem" também foi destacada quando o o relatório de genocídio em Gaza foi publicado.

Além de uma medalha de ouro com o perfil de Alfredo Nobel, fundador do prêmio, Pillay também receberá 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$6 milhões.