Política Eleições 2026
Michelle Bolsonaro e Bia Kicis reforçam aliança bolsonarista no Senado
Eleitas senadoras pelo PL, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis unem-se a Damares Alves (Republicanos), ampliam presença do partido no Congresso Nacional e avaliam maior pressão no Judiciário.O Supremo Tribunal Federal (STF) está na mira
06/10/2026 09h50
Por: João Araújo Fonte: Notícia Certa

Na noite de 1º de agosto, em um palco montado no Parque da Cidade, pessoas vestidas de verde e amarelo ocupavam o chão de terra batida no estacionamento 11. O evento comemorava o lançamento da candidatura de Bia Kicis ao Senado pelo Distrito Federal. A atenção do público se dividia com a expectativa do anúncio oficial da estreia de Michelle Bolsonaro na política, até então nebulosa. Diante da ausência de Michelle na celebração, Celina Leão (PP) e Bia confirmaram a debutação. O entusiasmo se consolidou nas urnas. Juntas, Michelle e Bia reforçam a bancada do Partido Liberal (PL), que passará a contar com 28 senadores a partir de 2027 — sendo 19 eleitos no domingo —, em um feito que a torna a segunda maior bancada de um partido na Casa desde a redemocratização.

Próximas nos números de votação (222 e 223) e nos propósitos, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis reforçam a bancada do Partido Liberal (PL), que passará a contar com 28 senadores a partir de 2027 — sendo 19 eleitos como elas no último domingo, tornando a segunda maior bancada de um partido na Casa desde a redemocratização. A ex-primeira dama garantiu o 1º lugar na corrida eleitoral com 938.496 votos (29%). Em segundo, a eleição da deputada federal com 886.616 votos (27%) surpreendeu adversários, uma vez que pesquisas eleitorais cravavam Leila do Vôlei (PDT) ao posto.

A nova composição da bancada bolsonarista — que já está representada pelo DF com a senadora Damares Alves (Republicanos), eleita em 2022 — quer aumentar a pressão sobre o Judiciário. O Supremo Tribunal Federal (STF) está na mira. Uma das principais bandeiras de Bia Kicis é o resgate das prerrogativas parlamentares e do equilíbrio entre os Poderes. Ela defende que o Senado exerça as atribuições que lhe são conferidas pela Constituição, inclusive na análise de pedidos de impeachment de ministros de tribunais superiores quando houver elementos que justifiquem o procedimento.

Na segurança pública, Bia propõe o endurecimento das penas para criminosos, o combate à impunidade e o cumprimento rigoroso da legislação penal e processual penal. Já Michelle reunirá, no âmbito da segurança, recursos para as forças, preparo, equipamentos e melhoria das condições de trabalho e proteção às famílias e a quem protege.

Redução da burocracia no meio profissional para a geração de empregos é outra pauta conjunta de Bia e Michelle. Em parceria com o GDF, caso a governadora Celina Leão (PP) seja reeleita no segundo turno, a ex-primeira dama buscará simplificar licenças locais, organizar o atendimento a quem empreende, oferecer cursos e aproximar empresas e trabalhadores. Inclui a simplificação da abertura e regularização, pela internet, para a expansão de pequenos negócios.

Bia também pretende manter no Senado a atuação em defesa do agronegócio e da agricultura, setores com os quais mantém relação próxima durante sua passagem pela Câmara. No DF, uma das propostas é o Renda no Bairro, iniciativa voltada ao estímulo da atividade econômica nas regiões administrativas, com incentivo ao empreendedorismo, aos pequenos negócios e à geração de renda perto de onde as pessoas vivem.

Na saúde pública, a deputada federal defende maior fiscalização sobre a aplicação dos recursos. Michelle considera essencial a organização de filas com regras claras e prioridade para quem mais precisa de atendimento. Promete, ainda, fortalecer a vacinação e os postos de saúde, ampliar consultas à distância e adquirir recursos para a saúde da mulher, de adolescentes e idosos.

Análise

O cientista político André César, sócio da Hold Assessoria Legislativa, avalia o cenário. Segundo ele, a quantidade de políticos do PL eleitos tanto no Senado quanto na Câmara evidenciam para a "força avassaladora" que está por vir. "Você puxa uma agenda da direita e o PL é o grande condutor, mas tem os outros partidos de direita, com força igual", ressalta, acrescentando o desafio de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) na recondução da Casa. 

O atual presidente do Senado enfrentará uma missão para continuar no cargo na próxima lesgislaturae terá de angariar apoio dos bolsonaristas. Nos últimos dois anos, Alcolumbre estreitou alianças com o presidente Lula (PT) e criou clima de desconforto com a direita. "Ele (Alcolumbre) será testado e não terá uma vida fácil. Michelle e Bia, neste cenário, tornam-se protagonistas importantes", avalia o cientista político. 

O estudioso analisa os impasses a serem enfrentados pelos dois candidatos à presidência. Lula, em maior escala. De acordo André César, o petista, se eleito, precisará virar o jogo para cooptar aliados. Mesmo com os esforços, terá dificuldade em avançar as agendas, como o fim da escala 6x1, avalia. "Seria um governo defensivo. Ao contrário, no caso do Flávio, que tem agenda mais conservadora, terá mais facilidade para negociar alguns temas, como a segurança pública e agenda fiscal."