
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cobrou da Polícia Federal a apuração integral de eventuais fatos relacionados ao Banco Master que possam envolver ministros da Corte. Em ofício encaminhado ontem ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o magistrado afirmou que dados, documentos ou indícios relacionados ao caso devem ser apresentados de forma completa, sem exceção em razão da pessoa eventualmente mencionada.
No documento, Fachin afirma haver interesse institucional do Supremo no esclarecimento de informações sobre o "eventual envolvimento de integrantes" do tribunal nas investigações. O presidente da Corte também indicou que pretende adotar as medidas cabíveis depois que receber formalmente os elementos reunidos pelas autoridades responsáveis pela apuração. O ministro não especificou quais integrantes do STF poderiam ser mencionados nas informações.
No documento, Fachin afirma haver interesse institucional do Supremo no esclarecimento de informações sobre o "eventual envolvimento de integrantes" do tribunal nas investigações. O presidente da Corte também indicou que pretende adotar as medidas cabíveis depois que receber formalmente os elementos reunidos pelas autoridades responsáveis pela apuração. O ministro não especificou quais integrantes do STF poderiam ser mencionados nas informações.
A cobrança ocorre em meio ao avanço das investigações relacionadas ao Banco Master e às discussões sobre como devem ser tratados eventuais elementos que façam referência a autoridades do Supremo. No ofício, Fachin ressalta que os fatos precisam ser apresentados integralmente à Presidência da Corte.
"Sem prejuízo de procedimentos em andamento, cumpre-me esclarecer que, apenas chegue a esta Presidência relatório, expediente ou conjunto de informações dessa natureza onde tenham sido apresentados integralmente, sem exceção de pessoa, os fatos correlatos, serão dados os encaminhamentos devidos", frisou o presidente do STF.
A manifestação de Fachin não atribui aos ministros prática de irregularidades. O presidente do Supremo também não aponta, no documento, quais integrantes poderiam aparecer nos elementos relacionados ao caso Master. A orientação é para que eventuais informações sejam encaminhadas e analisadas pelos órgãos competentes.
Fachin também defendeu a atuação independente da PF e do Ministério Público, dentro das competências estabelecidas pela Constituição e pelas regras processuais. Para o ministro, eventuais ilícitos devem ser apurados com rigor e respeito às atribuições de cada instituição. A avaliação, segundo o ofício, deve ocorrer a partir dos elementos formalmente reunidos na investigação.
A interlocução entre o Supremo e a PF deverá continuar nos próximos dias. Fachin e Andrei Rodrigues já se reuniram em duas ocasiões neste ano. Os encontros ocorreram em 17 de agosto, no STF, e em 31 de agosto, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Uma nova reunião entre os dois será na próxima semana para tratar do caso Master.
Cinco ministros têm algum grau de relação com o caso do Master. O primeiro a vir à tona foi Dias Toffoli, que teria vendido a participação da empresa da família, a Maridt Participações, no resort Tayayá, no Paraná, para fundos administrados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Na sequência surgiu Alexandre de Moraes, cujo escritório da mulher, Viviane Barci de Moraes, fechou contrato de R$ 131 milhões (em 36 parcelas) com o Master. Diálogos do ex-banqueiro também foram vazados, nos quais pede intervenção do ministro para evitar a liquidação do banco pelo Banco Central. Mais recentemente, foi divulgada a imagem do magistrado e a esposa desembarcando num jatinho, de uma empresa ligada a Vorcaro, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
Já o ministro Kassio Nunes Marques, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estaria na rede de benesses custeadas pelo dono do Master. A PF encontrou minuta de contrato de até R$ 427 milhões com o escritório de advocacia da mulher do desembargador Newton Ramos (TRF-1), apontado como integrante da "turma do KN". Além disso, diálogos citam repasses mensais de R$ 500 mil para o advogado Kevin Marques, filho do magistrado.
O vice-presidente do TSE, André Mendonça, também teria sido servido pelo ex-banqueiro. Ele voou, em agosto de 2025, em uma aeronave ligada a um ex-parceiro de negócios de Vorcaro para ir a um evento jurídico em Minas Gerais. Além disso, uma mensagem enviada em fevereiro do ano passado pelo advogado Ciro Rocha Soares, que é próximo do ex-banqueiro, afirmava ter levado o magistrado a uma alfaiataria em São Paulo para fazer um terno.
O último a aparecer nesta teia foi Luiz Fux. Inicialmente, o filho do magistrado, Rodrigo, seria comensal das festas de Vorcaro. Porém, teria sido procurado pelo dono do Master para pedir que o ajudasse em um caso de um precatório bilionário da Agro Industrial Tabu — o filho do magistrado o orientou a enviar um e-mail para a secretária do ministro no STF.
Nesta semana, vieram à tona mensagens apreendidas pela PF indicando que Vorcaro orientou a compra de passagens e hospedagem para Fux e a esposa, em uma viagem a Nova York, em 2024, para um evento patrocinado pela revista Forbes Brasil.
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