Distrito Federal Xavier
Xavier é condenado por morte de adolescente após 22 anos do crime
Ex-deputado distrital à época do crime, em 2004, Xavier foi apontado como mandante do assassinato e, durante o julgamento, negou participação no crime.
24/09/2026 15h00
Por: João Araújo Fonte: Correio Braziliense

Pouco após as 3h da madrugada desta quinta-feira (24/9), Carlos Xavier foi condenado pelo Tribunal do Júri a 14 anos e 3 meses de prisão pela morte do adolescente Ewerton Ferreira, 16 anos. A decisão é inédita no caso, que se arrasta há mais de duas décadas.

Ex-deputado distrital à época do crime, em 2004, Xavier foi apontado como mandante do assassinato e, durante o julgamento, negou participação no crime.

Por ser candidato a distrital, Xavier só poderá ser preso após período eleitoral, quando começará a cumprir pena na Papuda.

Interrogatório

Horas antes da sentença, Xavier chorou por duas vezes em plenário e, em mais de uma hora de interrogatório, acusou integrantes da cúpula da Polícia Civil do Distrito Federal e autoridades políticas de terem arquitetado uma armadilha para tirá-lo do poder. A defesa sustentou que houve uma articulação para incriminá-lo.

Xavier iniciou a fala diante dos jurados relembrando a infância, o trabalho, a vida religiosa e o casamento. Em seguida, falou sobre a relação que mantinha com Ewerton e a família do adolescente. “Conhecia ele e a família dele. Éramos irmãos da mesma congregação”, afirmou.

Segundo os autos do processo, a investigação apontou Xavier como mandante do assassinato. A motivação atribuída ao crime foi uma suposta vingança contra o adolescente, diante da suspeita de que ele mantinha um relacionamento com a mulher do então deputado.

Xavier, porém, classificou a investigação e os depoimentos como mentirosos. Admitiu ter descoberto uma traição da esposa, mas afirmou que o homem envolvido era outra pessoa, identificada como Renan.

“Eu estava numa padaria e uma moça me chamou. Disse que queria conversar sério. Fui na casa dela depois e ela disse que minha esposa estava me traindo e se envolvendo com drogas. Tomei um susto. Éramos da igreja e ela estava vivendo um mundo paralelo”, relatou.

À época, segundo Xavier, ele se divorciou e conseguiu na Justiça a guarda das três filhas. Depois, diante da tristeza das meninas, permitiu que elas voltassem a morar com a mãe. “Foi uma dor enorme”, disse.

Acusação de complô

O nome de Xavier entrou no radar da polícia cerca de oito meses após o assassinato, durante as diligências do caso. Um dos presos, identificado como Leandro, afirmou ter recebido R$ 15 mil para executar o adolescente e posteriormente apontou Xavier como mandante.

A defesa sustentou durante o julgamento que políticos, delegados e agentes da Polícia Civil se uniram para incriminar o então deputado. Os advogados se apegaram a um episódio ocorrido na carceragem onde Leandro estava detido.

Segundo a defesa, três agentes entraram na cela às 19h e permaneceram no local até as 22h. No dia seguinte, Leandro teria solicitado um novo depoimento e apresentado o nome de Xavier como mandante.

“Acabou com minha vida. Mas eu sei que a verdade vai prevalecer”, afirmou Xavier.

O ex-deputado também disse ter recebido de integrantes da polícia uma proposta de R$ 500 mil para que o assassinato fosse atribuído à ex-mulher. Segundo ele, a denúncia foi levada à Corregedoria, mas não resultou em providências.

Após o interrogatório e os debates entre acusação e defesa, os jurados decidiram pela condenação de Xavier. A sentença foi proferida pouco depois das 3h desta quinta-feira, encerrando uma das ações criminais de maior repercussão no Distrito Federal envolvendo um ex-parlamentar.