O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta terça-feira (22/9) as ações militares do país contra o Irã, criticou a Organização das Nações Unidas (ONU) e fez uma série de declarações sobre política externa, segurança e tecnologia durante o discurso na 81ª Assembleia Geral da entidade, em Nova York. Trump também afirmou acreditar que os Estados Unidos poderão chegar a um acordo com o Irã após as eleições de meio de mandato norte-americanas, marcadas para 3 de novembro.
Trump abriu o discurso exaltando os resultados de seu governo e a posição dos Estados Unidos no cenário internacional. “Os EUA estão de volta. Nosso país está mais forte hoje do que jamais esteve. Nossa economia faz a inveja do mundo, nossos militares são os mais poderosos do mundo, nossa tecnologia não tem rivais", disse.
Ao falar sobre o Irã, o presidente voltou a defender a ofensiva militar norte-americana e afirmou que a ação teria impedido o país de obter uma arma nuclear. Ao mesmo tempo, indicou que ainda considera uma saída diplomática. Segundo Trump, um acordo poderá ser alcançado depois das eleições de novembro.
Em um dos trechos mais duros do discurso, Trump questionou se deveria buscar um acordo com o governo iraniano ou “aniquilar a República Islâmica e fazer isso rapidamente?”, afirmou.
A fala ocorreu em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã, que se tornou um dos principais temas da agenda internacional da Assembleia Geral. A delegação iraniana deixou o plenário durante o discurso de Trump, segundo a Associated Press.
Trump também tratou do combate ao narcotráfico no continente americano. Ele afirmou que classificou cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e comparou os grupos ao Estado Islâmico. “Os cartéis são o Estado Islâmico do hemisfério ocidental”, declarou.
Ao falar sobre Cuba, Trump afirmou que o regime comunista está sob forte pressão e disse considerar uma “mudança radical” na ilha. Segundo o presidente, o secretário de Estado, Marco Rubio, participa das negociações com os cubanos. “É um regime absolutamente falido, um Estado falido. E vai cair”, decretou.
Trump também relacionou o combate aos cartéis à situação do México e afirmou que “a liberdade irá a Cuba e também irá ao México”.
A Groenlândia voltou a aparecer no discurso. Trump afirmou que os Estados Unidos receberam autorização para atuar na segurança do território e disse que Washington fará “o necessário” para proteger o continente americano e a Europa.
O tema ocorre em meio às negociações entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia sobre segurança na ilha. Um acordo previsto para esta semana deve ampliar a presença militar norte-americana no território e limitar a atuação de adversários geopolíticos. Trump também afirmou que, enquanto estiver na Presidência, não haverá impostos globais.
Durante a fala, o presidente norte-americano também atacou o Tribunal Penal Internacional (TPI), que classificou como uma instituição “anti-americana”. A crítica faz parte da oposição de Trump à atuação de organismos internacionais que, segundo seu governo, interferem na soberania dos Estados Unidos.
A inteligência artificial também apareceu no discurso. Trump afirmou que os Estados Unidos estão à frente da China no desenvolvimento da tecnologia e minimizou os alertas sobre possíveis riscos da IA.
Em vez de falar apenas em inteligência artificial, Trump passou a utilizar o termo “superinteligência” ao se referir à tecnologia. “Bem-vindos ao novo mundo da superinteligência.”
O presidente afirmou que novas tecnologias sempre trazem desafios e comparou os atuais alertas sobre IA a previsões anteriores relacionadas às mudanças climáticas. Segundo Trump, os Estados Unidos estão liderando a corrida tecnológica e precisam manter essa posição diante da China.
A fala de Trump durou mais de 30 minutos, aproximadamente o dobro do tempo solicitado pela organização da Assembleia Geral. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, foi o primeiro chefe de Estado a discursar nesta terça-feira. Na fala, Lula defendeu a soberania dos países e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. O presidente também declarou que o país não vai “terceirizar” o combate ao crime organizado.
A Assembleia Geral deste ano ocorre em meio a conflitos internacionais, à discussão sobre o futuro da ONU e ao avanço da inteligência artificial. O secretário-geral António Guterres, em uma de suas últimas participações no cargo, alertou para os riscos associados à tecnologia e afirmou que a inteligência artificial representa uma ameaça potencial para a humanidade.