Tuesday, 22 de September de 2026
31°

Tempo nublado

Brasília, DF

Internacional Trump

Trump defende guerra com Irã e critica ONU em discurso

Presidente dos EUA também falou sobre Cuba, Groenlândia, cartéis, inteligência artificial e disse acreditar em acordo com o Irã após as eleições

22/09/2026 às 17h00
Por: João Araújo Fonte: Correio Braziliense
Compartilhe:
Trump defende guerra com Irã e critica ONU em discurso

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta terça-feira (22/9) as ações militares do país contra o Irã, criticou a Organização das Nações Unidas (ONU) e fez uma série de declarações sobre política externa, segurança e tecnologia durante o discurso na 81ª Assembleia Geral da entidade, em Nova York. Trump também afirmou acreditar que os Estados Unidos poderão chegar a um acordo com o Irã após as eleições de meio de mandato norte-americanas, marcadas para 3 de novembro.

Continua após a publicidade

Trump abriu o discurso exaltando os resultados de seu governo e a posição dos Estados Unidos no cenário internacional. “Os EUA estão de volta. Nosso país está mais forte hoje do que jamais esteve. Nossa economia faz a inveja do mundo, nossos militares são os mais poderosos do mundo, nossa tecnologia não tem rivais", disse.

Continua após a publicidade

Ao falar sobre o Irã, o presidente voltou a defender a ofensiva militar norte-americana e afirmou que a ação teria impedido o país de obter uma arma nuclear. Ao mesmo tempo, indicou que ainda considera uma saída diplomática. Segundo Trump, um acordo poderá ser alcançado depois das eleições de novembro.

Continua após a publicidade

Em um dos trechos mais duros do discurso, Trump questionou se deveria buscar um acordo com o governo iraniano ou “aniquilar a República Islâmica e fazer isso rapidamente?”, afirmou.

A fala ocorreu em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã, que se tornou um dos principais temas da agenda internacional da Assembleia Geral. A delegação iraniana deixou o plenário durante o discurso de Trump, segundo a Associated Press.

Cartéis e Cuba

Trump também tratou do combate ao narcotráfico no continente americano. Ele afirmou que classificou cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e comparou os grupos ao Estado Islâmico. “Os cartéis são o Estado Islâmico do hemisfério ocidental”, declarou.

Ao falar sobre Cuba, Trump afirmou que o regime comunista está sob forte pressão e disse considerar uma “mudança radical” na ilha. Segundo o presidente, o secretário de Estado, Marco Rubio, participa das negociações com os cubanos. “É um regime absolutamente falido, um Estado falido. E vai cair”, decretou.

Trump também relacionou o combate aos cartéis à situação do México e afirmou que “a liberdade irá a Cuba e também irá ao México”.

Groenlândia

A Groenlândia voltou a aparecer no discurso. Trump afirmou que os Estados Unidos receberam autorização para atuar na segurança do território e disse que Washington fará “o necessário” para proteger o continente americano e a Europa.

O tema ocorre em meio às negociações entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia sobre segurança na ilha. Um acordo previsto para esta semana deve ampliar a presença militar norte-americana no território e limitar a atuação de adversários geopolíticos. Trump também afirmou que, enquanto estiver na Presidência, não haverá impostos globais.

Durante a fala, o presidente norte-americano também atacou o Tribunal Penal Internacional (TPI), que classificou como uma instituição “anti-americana”. A crítica faz parte da oposição de Trump à atuação de organismos internacionais que, segundo seu governo, interferem na soberania dos Estados Unidos.

Inteligência artificial

A inteligência artificial também apareceu no discurso. Trump afirmou que os Estados Unidos estão à frente da China no desenvolvimento da tecnologia e minimizou os alertas sobre possíveis riscos da IA.

Em vez de falar apenas em inteligência artificial, Trump passou a utilizar o termo “superinteligência” ao se referir à tecnologia. “Bem-vindos ao novo mundo da superinteligência.”

O presidente afirmou que novas tecnologias sempre trazem desafios e comparou os atuais alertas sobre IA a previsões anteriores relacionadas às mudanças climáticas. Segundo Trump, os Estados Unidos estão liderando a corrida tecnológica e precisam manter essa posição diante da China.

A fala de Trump durou mais de 30 minutos, aproximadamente o dobro do tempo solicitado pela organização da Assembleia Geral. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, foi o primeiro chefe de Estado a discursar nesta terça-feira. Na fala, Lula defendeu a soberania dos países e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. O presidente também declarou que o país não vai “terceirizar” o combate ao crime organizado.

A Assembleia Geral deste ano ocorre em meio a conflitos internacionais, à discussão sobre o futuro da ONU e ao avanço da inteligência artificial. O secretário-geral António Guterres, em uma de suas últimas participações no cargo, alertou para os riscos associados à tecnologia e afirmou que a inteligência artificial representa uma ameaça potencial para a humanidade.