O período de convenções partidárias — quando as siglas definem seus candidatos — se encerra nesta quarta-feira (5/8) com cerca de quatro chapas puras à Presidência da República. Ou seja, quatro candidatos escolheram vices do próprio partido para disputar as eleições.
O anúncio mais recente foi o do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Candidato à Presidência, ele oficializou nesta quarta o nome do senador Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice, após os principais partidos do Centrão — com nomes de vice cotados para sua chapa — anunciarem neutralidade na disputa presidencial.
Três grandes partidos fizeram o anúncio da neutralidade na terça-feira (4). Foi o caso do Republicanos, do União Brasil e do Podemos. Na semana passada, outras siglas como o Progressistas (PP) e o MDB já haviam declarado que seguiram neste mesmo caminho em relação às eleições presidenciais.
Assim como Flávio, Romeu Zema (Novo), também sem alianças, lançou ontem um nome do próprio partido como vice, o senador Eduardo Girão (Novo). Além dele, o candidato Ronaldo Caiado (PSD) oficializou o presidente do partido, Gilberto Kassab, no início de julho, como seu vice. Outra chapa puro sangue seria a do candidato Renan Santos (Missão), com Aroldo Medina (Missão) na vice.
O Correio levou em conta candidatos que registraram mais de 1% na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta. Segundo os dados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 39% das intenções de votos. Em seguida, vem Flávio Bolsonaro, com 30%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais. Com isso, estão tecnicamente empatados Ronaldo Caiado, com 4%, Renan Santos, também com 4%, e Romeu Zema, com 2%.
Lula, que concorre para ser reeleito à Presidência, nesse cenário, é o único que conta com uma coligação, tendo Geraldo Alckmin (PSB) como vice. Além do PT e PSB, o petista ainda conta com o apoio oficial de outros partidos como PDT, PCdoB, PV e PSol.
Contraste com 2022
O cenário contrasta com o visto em 2022 e aponta para uma dificuldade da direita e centro-direita em formar alianças neste momento, em meio a partidos que preferem resguardar os palanques estaduais. A neutralidade permite que a sigla não tenha um apoio formal a nenhum candidato à Presidência, liberando diretórios estaduais para alianças locais que sejam mais vantajosas.
No último pleito, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por exemplo, concorreu à reeleição com uma coligação composta pelo PL, PP e Republicanos. Flávio Bolsonaro, na atual disputa, conta formalmente com o apoio apenas do PL. No entanto, vale lembrar que alguns quadros dos partidos que integraram a base de Bolsonaro na última eleição já anunciaram apoio a Flávio.
Na terça, durante evento em São Paulo, o 01 citou como exemplo o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), os senadores Cleitinho Azevedo (Republicanos), Damares Alves (Republicanos) e Tereza Cristina (PP), além de Daniella Marques (Republicanos), Guilherme Derrite (PP) e Simone Marquetto (PP).
O partido Novo, em 2022, também teve chapa pura à Presidência, liderada por Luiz Felipe d’Avila (Novo) e como vice, Tiago Mitraud (também do Novo-MG). O presidente Lula, na época, contava com mais coligações do que as de 2026, envolvendo também o Solidariedade e a federação partidária formada por Rede e PSol.
Vale lembrar que, nas últimas eleições presidenciais, o PSD não lançou candidato próprio ao Planalto e adotou uma posição de neutralidade no primeiro e no segundo turnos. O Missão não participou das últimas eleições presidenciais, tendo em vista que teve seu registro oficial pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apenas no fim de 2025.