
A pouco menos de dois meses das eleições, a segunda rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política aponta uma consolidação da disputa no Distrito Federal. A governadora Celina Leão (PP) ampliou a vantagem na corrida ao Palácio do Buriti, melhorou os índices de aprovação do governo e passou a liderar com folga o primeiro turno.
Na disputa pelas duas vagas ao Senado, Leila do Vôlei (PDT) e Michelle Bolsonaro (PL) aparecem à frente, enquanto o levantamento também mostra que o escândalo envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master segue influenciando a percepção do eleitorado e pode pesar na definição dos votos.
Realizada entre 30 de julho e 1º de agosto com 1.109 eleitores de 31 regiões administrativas do Distrito Federal, a pesquisa revela um cenário em que os principais candidatos começam a consolidar posições, embora parte significativa do eleitorado ainda permaneça indecisa em algumas disputas. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número DF-04077/2026.
Na pesquisa estimulada para o Governo do Distrito Federal, Celina Leão aparece com 32,4% das intenções de voto, desempenho superior ao registrado na primeira rodada do levantamento, quando tinha 27,8%. Com o avanço, a governadora deixa para trás o empate técnico com o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que soma 24% das preferências.
Segundo a margem de erro da pesquisa, de 3,3 pontos percentuais, Celina agora aparece isolada na liderança do primeiro turno.
A pesquisa também mostra melhora na avaliação da gestão de Celina Leão. Hoje, 51,9% dos entrevistados aprovam a forma como a governadora administra o Distrito Federal, enquanto 33,7% desaprovam. Na rodada anterior, divulgada em junho, os índices eram de 45,7% de aprovação e 31,9% de reprovação.
Também houve crescimento nas avaliações positivas do governo. A parcela dos eleitores que considera a gestão "ótima" passou de 6,5% para 8,2%, enquanto os que classificam como "boa" subiram de 22,8% para 24%. Ao mesmo tempo, diminuiu o percentual daqueles que avaliam a administração como regular, passando de 38% para 35%.
Na sequência aparecem Leandro Grass (PT), com 9,8%, Ricardo Cappelli (PSB), com 4,3%, Paula Belmonte (PSDB), com 3,5%, Samara Mineiro (UP), com 0,9%, Kiko Caputo (Novo), com 0,8%, e Robson Raimundo (PSTU), com 0,5%. Outros 12,2% afirmaram que pretendem votar em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos apresentados, enquanto 11,5% não souberam responder.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados aos entrevistados, Celina também lidera, com 17,2% das citações. Arruda aparece em segundo lugar, com 8,9%, seguido por Leandro Grass (4,1%), Ricardo Cappelli (1,2%) e Paula Belmonte (0,8%). Mesmo assim, o número de indecisos continua elevado: 49% ainda não sabem em quem votar.
Pela primeira vez, o levantamento simulou cenários de segundo turno. Celina venceria Leandro Grass e Ricardo Cappelli com vantagem, mas o confronto contra José Roberto Arruda permanece indefinido. A governadora aparece com 43,6%, enquanto o ex-governador registra 40,1%, resultado que configura empate técnico dentro da margem de erro.
Embora Celina seja considerada favorita nos diferentes cenários testados, a disputa contra Arruda desponta como a mais equilibrada da eleição. O crescimento ocorre poucos meses após Celina assumir definitivamente o comando do Palácio do Buriti, depois da renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), e em meio às investigações sobre o caso BRB/Master, que atingiram diretamente integrantes da antiga gestão.
Apesar da liderança, Celina também aparece entre os candidatos mais rejeitados. Segundo a pesquisa, 26,2% afirmam que não votariam nela de jeito nenhum. O índice é praticamente igual ao de José Roberto Arruda, que lidera a rejeição com 26,6%, configurando empate técnico.
Leandro Grass aparece com 16,9% de rejeição, seguido por Kiko Caputo (9,1%), Robson Raimundo (6,6%), Ricardo Cappelli (5,9%), Paula Belmonte (5,5%) e Samara Mineiro (5,1%).
Na corrida pelas duas vagas ao Senado, a pesquisa mostra uma disputa concentrada em quatro nomes. Leila do Vôlei lidera o levantamento ao reunir 46,9% das intenções de voto somadas entre primeiro e segundo voto. A senadora aparece como primeira opção para 23,5% dos entrevistados e como segunda escolha para 23,4%.
Michelle Bolsonaro surge em seguida, com 42% dos votos consolidados, resultado da soma de 28,7% como primeira opção e 13,3% como segundo voto. A deputada federal Erika Kokay (PT) ocupa a terceira colocação, com 32,3%, enquanto Bia Kicis (PL) aparece com 22,6%.
Na sequência estão o desembargador aposentado Sebastião Coelho (Novo), com 12,4%, e, em um cenário alternativo, o empresário Paulo Octávio (PSD), que alcança 15,9% caso confirme candidatura. Mesmo com a entrada de Paulo Octávio, a ordem dos candidatos permanece praticamente inalterada: Leila continua na liderança, seguida por Michelle, Erika Kokay, Bia Kicis e Sebastião Coelho.
Além da liderança, Leila também apresenta um dos menores índices de rejeição entre os nomes pesquisados. Apenas 12% dos entrevistados disseram que não votariam na senadora. O único candidato com rejeição menor é Sebastião Coelho, com 8,7%.
Na outra ponta, Michelle Bolsonaro registra a maior rejeição da disputa, com 30,6%, seguida de perto por Erika Kokay, com 29,4%. Paulo Octávio aparece com 16,7%, enquanto Bia Kicis registra 14%.
O levantamento também mediu o impacto político das investigações envolvendo o BRB e o Banco Master. Segundo a pesquisa, 75,8% dos moradores do Distrito Federal defendem a condenação e a prisão dos responsáveis pelas fraudes investigadas na Operação Compliance Zero. Outros 17,4% afirmam que os envolvidos não deveriam ser presos, enquanto 6,8% não souberam responder.
Para 48,7% dos entrevistados, as investigações terão influência na definição do voto. Já 47,9% afirmaram que o caso não mudará sua decisão nas urnas, enquanto 3,3% não responderam.
As investigações da Polícia Federal apuram supostas irregularidades na negociação de ativos entre o BRB e o Banco Master, operação que, segundo as apurações, pode ultrapassar R$ 15 bilhões e levou à prisão preventiva do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com as investigações, a operação envolvia a compra, pelo banco público, de carteiras de crédito consideradas de alto risco e com indícios de inconsistências, o que teria provocado prejuízos bilionários.
Nos cenários para deputado federal, a pesquisa indica uma corrida ainda aberta, marcada pelo alto número de eleitores que ainda não definiram o voto. Segundo o levantamento, 67,2% dos entrevistados disseram não saber em quem pretendem votar para a Câmara dos Deputados.
Entre aqueles que já manifestaram preferência, o deputado federal Rafael Prudente (MDB) lidera a consulta espontânea, com 1,8% das intenções de voto. Em seguida aparece Júlio César Ribeiro (Republicanos), com 1,6%. Na terceira posição está o deputado distrital Chico Vigilante (PT), citado por 1,4% dos entrevistados, apesar de disputar uma vaga para permanecer na Câmara Legislativa. Logo atrás vem Fred Linhares (Republicanos), que registra 1,3%, seguido pelo deputado distrital Fábio Félix (PSol), com 1,2%.
Mais abaixo aparecem Rodrigo Rollemberg (PSB), com 0,6%, Ricardo Vale (PT), José Antonio Reguffe (Solidariedade) e Reginaldo Veras (PV), todos com 0,4% das citações espontâneas.
Na consulta espontânea, 62,2% dos entrevistados disseram não saber em quem votar, demonstrando que a disputa pelas 24 vagas da Câmara Legislativa permanece completamente aberta. Entre os nomes lembrados espontaneamente, a deputada distrital Jaqueline Silva (MDB) aparece na liderança, com 2,7% das intenções de voto.
Na sequência estão Chico Vigilante (PT), com 1,7%, e o líder do governo na Câmara Legislativa, Pepa (PP), com 1,4%. Os deputados Max Maciel (PSol) e Eduardo Pedrosa (União Brasil) aparecem empatados com 1,1%, seguidos por Joaquim Roriz Neto (PL), com 1%.
Também figuram entre os mais lembrados Robério Negreiros (Podemos) e Fábio Félix (PSol), ambos com 0,7%, além de Martins Machado (Republicanos), com 0,6%, e Hermeto (MDB), citado por 0,5% dos entrevistados. Assim como ocorre na disputa para deputado federal, o levantamento indica que a maioria do eleitorado ainda não definiu seus representantes no Legislativo.
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