A nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já gera impactos econômicos estimados em R$ 76 bilhões, segundo levantamento do Ibevar-FIA Business School. Ainda de acordo com o estudo, a medida levou as relações entre Brasil e Estados Unidos ao momento mais delicado em mais de dois séculos de vínculos diplomáticos.
A avaliação é compartilhada por diplomatas ouvidos pelo projeto Memórias da Diplomacia Brasileira, que consideram a atual crise mais grave até mesmo do que o episódio de ruptura diplomática ocorrido em 1977, durante os governos de Ernesto Geisel e Jimmy Carter.
Os dados indicam que cerca de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras estão diretamente expostos às novas tarifas. O impacto estimado equivale a uma perda entre 0,5 e 0,6 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Considerando uma projeção de crescimento entre 1,99% e 2% para o próximo ano, o tarifaço pode comprometer entre um quarto e um terço da expansão econômica prevista.
Entre os setores mais vulneráveis estão a indústria madeireira, que possui 83% de suas exportações incluídas na lista de produtos atingidos, além dos segmentos de minerais não metálicos (56,3%), químicos (51,8%) e alimentos (38,1%). Também aparecem entre os mais afetados os setores de calçados, têxteis, móveis e máquinas.
Diante do cenário, o governo federal ampliou o Plano Brasil Soberano, elevando para R$ 55 bilhões o volume de crédito disponibilizado por meio do BNDES. Mesmo assim, a demanda por financiamentos já alcança R$ 18,4 bilhões, levando o banco a solicitar um reforço adicional de R$ 7,25 bilhões ao Tesouro Nacional.
O estudo do Ibevar alerta que a redução das exportações pode desencadear efeitos indiretos relevantes sobre a economia brasileira, incluindo menor ingresso de divisas, desaceleração da atividade econômica e queda na arrecadação tributária. Esses fatores tendem a ampliar as pressões sobre o deficit primário, estimado em cerca de 0,5% do PIB em 2026.
As preocupações também se estendem à trajetória da dívida pública. A dívida bruta do governo geral é projetada em 83% do PIB em 2026, podendo atingir entre 86% e 87% no ano seguinte, cenário que aumenta o risco de deterioração da percepção dos investidores e de eventuais revisões na classificação de risco do país.
Para o presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, Claudio Felisoni, os efeitos do tarifaço extrapolam o campo comercial. “O tarifaço não é apenas uma disputa comercial entre dois países. É um evento que atravessa as dimensões geográfica, fiscal, monetária e diplomática ao mesmo tempo, e cada uma dessas frentes já está em movimento, mensurável e mais cara do que a manchete de hoje sugere”, afirmou.
Embora o levantamento do Ibevar aponte riscos relevantes para a economia, o Departamento de Pesquisas Econômicas (DPeC) do Banco Daycoval avalia que os efeitos sobre o crescimento brasileiro deverão ser mais limitados. Em relatório semanal, a instituição estima que as novas tarifas reduzirão o PIB de 2026 em apenas 0,03 ponto percentual.
Na avaliação do banco, os maiores impactos devem se concentrar em setores diretamente dependentes do mercado norte-americano, sem comprometer de forma significativa o desempenho agregado da economia.
A repercussão das tarifas seguirá no centro das atenções do mercado nesta semana, em meio a uma agenda econômica doméstica mais esvaziada. Entre os indicadores previstos, destaca-se a divulgação da segunda prévia do IGP-M de julho, para a qual a expectativa é de deflação de 1%.
O Daycoval também revisou suas projeções para a inflação, estimando um IPCA de 5,2% em 2026. Para os próximos meses, o banco prevê altas de 0,26% em julho e 0,46% em setembro, além de uma deflação de 0,08% em agosto.
Apesar disso, o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, surpreendeu positivamente ao avançar 0,1% em maio. O resultado sustenta a expectativa de expansão de 0,3% no segundo trimestre, ainda que em ritmo inferior ao crescimento de 1,2% observado entre janeiro e março.
A repercussão das tarifas seguirá no centro das atenções do mercado nesta semana, em meio a uma agenda econômica doméstica mais esvaziada. Entre os indicadores previstos, destaca-se a divulgação da segunda prévia do IGP-M de julho, para a qual a expectativa é de deflação de 1%.
O Daycoval também revisou suas projeções para a inflação, estimando um IPCA de 5,2% em 2026. Para os próximos meses, o banco prevê altas de 0,26% em julho e 0,46% em setembro, além de uma deflação de 0,08% em agosto.
Apesar disso, o IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, surpreendeu positivamente ao avançar 0,1% em maio. O resultado sustenta a expectativa de expansão de 0,3% no segundo trimestre, ainda que em ritmo inferior ao crescimento de 1,2% observado entre janeiro e março.