A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou, nesta quinta-feira (16/7), que a investigação sobre a morte de Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas, segue em andamento. A 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas) esclareceu que, apesar do que foi divulgado pela corporação na terça-feira (14/7), não houve arquivamento da investigação. Segundo a unidade, a ocorrência permanece registrada como "Localização ou Remoção de Cadáver" e está em apuração, porque ainda existem dúvidas sobre a ocorrência ou não de eventual omissão no atendimento prestado à vítima.
De acordo com o laudo cadavérico, Vilmar morreu em decorrência de morte súbita cardíaca causada por tamponamento cardíaco, provocado por hemopericárdio volumoso secundário à dissecção aguda da aorta ascendente, em paciente com valvopatia e hipertensão arterial. A perícia concluiu que o óbito ocorreu por causas naturais.
Apesar da conclusão do Instituto de Medicina Legal (IML), a PCDF informou que acompanha o procedimento investigativo instaurado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), responsável pela administração da UPA. Ainda serão anexados aos autos os elementos produzidos pela unidade de saúde e colhidos os depoimentos dos profissionais envolvidos no atendimento.
Segundo a corporação, essas diligências irão compor um relatório da Seção de Investigação de Crimes Violentos (SIC/VIO), que servirá de base para definir se haverá ou não a instauração de um inquérito policial para apurar eventual crime de omissão de socorro. Até o momento, a investigação permanece na fase de verificação preliminar de informações, ainda sem a abertura de Inquérito Policial.
O caso ocorreu em 20 de junho, quando Vilmar procurou atendimento na UPA do Recanto das Emas. Imagens obtidas pelo Correio mostram o paciente chegando à unidade às 21h18 do dia anterior à morte. Horas depois, às 23h07, ele se dirige sozinho ao banheiro. Durante a madrugada, permanece sentado em uma cadeira de rodas e chega a se cobrir com um cobertor para dormir no local.
Segundo relatos de pessoas que aguardavam atendimento, Vilmar morreu por volta das 14h do dia seguinte. A situação provocou revolta entre os usuários da unidade, que reclamavam da demora na triagem. O tumulto começou quando os próprios pacientes perceberam que Vilmar, já desacordado, não apresentava sinais vitais e acionaram a equipe da UPA.
Durante a confusão, os presentes impediram que os funcionários retirassem o corpo para o interior da unidade e decidiram aguardar a chegada da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).