Integrantes do Palácio do Planalto enxergam na publicação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, um reforço da ala ligada ao movimento Maga (Make America Great Again, ou “Faça a América Grande Novamente”) que, na avaliação do governo brasileiro, defende interesses unilaterais e busca ampliar a influência de Washington sobre a América Latina.
Segundo um interlocutor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouvido pelo Correio nesta quinta-feira (16/7), embora Rubio não tenha participado da reunião bilateral entre os líderes brasileiro e norte-americano, realizada em Washington em maio deste ano, sua atuação é vista como representativa do setor mais ideológico da administração Trump.
Auxiliares de Lula avaliam que esse grupo costuma endurecer o discurso quando atua longe do presidente norte-americano. Um integrante do governo brasileiro afirmou, em conversa reservada, que, na presença de Trump, esses setores “recolhem as asinhas”, deixando o protagonismo para o presidente dos EUA e evitando criar embates que possam atrapalhar a condução política da reunião. A percepção do Planalto é que o contato direto entre Lula e Trump ajuda justamente a reduzir o espaço de atuação dessa ala, considerada responsável por estimular medidas unilaterais contra o Brasil.
Apesar do tom crítico em relação à publicação de Rubio, auxiliares do presidente afirmam que o governo brasileiro continuará apostando na interlocução direta com a Casa Branca para evitar um agravamento das tensões bilaterais. A leitura no Planalto é que a reunião entre o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente Trump e com o auxiliar Marco Rubio ajudou a elevar o custo político de novas ações unilaterais contra o Brasil.
O que escreveu Rubio
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, recorreu às redes sociais na madrugada de hoje para responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelas tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros. De acordo com Rubio, Lula deixou de conduzir as negociações de “boa-fé”, afirmando que as políticas econômicas adotadas pelo petista “são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros”.
“No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, escreveu o secretário.