Internacional Irã
Irã diz que ataques dos EUA interromperam reabertura do Estreito de Ormuz
EUA e Irã trocaram ataques pelo segundo dia; presidente americano afirma que o acordo de cessar-fogo acabou, e controle da via marítima vital ainda está em jogo
09/07/2026 21h00
Por: João Araújo Fonte: Correio Braziliense

A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quinta-feira (9/7) que os bombardeios dos EUA ao país interromperam a reabertura gradual do Estreito de Ormuz. Os EUA e o Irã trocaram ataques pelo segundo dia seguido durante a noite de ontem e madrugada desta quinta. 

A Guarda Revolucionária acrescentou ainda que a capacidade de trânsito sob a supervisão do Irã se recuperou com cerca de 50% dos níveis anteriores à guerra nas últimas duas semanas e que a travessia estava sendo ampliada gradualmente , mas somente para embarcações autorizadas pelas autoridades iranianas. 

Embora o Irã não seja o proprietário da via marítima, ele controla a costa norte do estreito, além de diversas ilhas e posições militares. Isso permite ao país monitorar praticamente todo o tráfego de embarcações da região. 

Nos últimos anos, o Irã transformou essa posição geográfica em um instrumento de pressão política e militar. Após o início da guerra, o país fechou o estreito para obter vantagem na mesa de negociações. Atualmente, o governo iraniano defende que o mundo reconheça a soberania do país sobre a rota marítima. 

Nesta semana, três navios que navegavam por uma rota próxima ao litoral do Omã, alternativa ao corredor controlado pelo Irã, foram atacados. Foi esse episódio que desencadeou a nova onda de ataques dos EUA contra território iraniano. 

Em junho, quando o acordo de cessar-fogo foi anunciado, o trânsito pela hidrovia atingiu seu maior nível desde o início da guerra, chegando a um terço do fluxo registrado nos tempos de paz. 

No entanto, com a nova onda de ataques, a recuperação estagnou. Na quarta, 21 navios-tanque transitaram pela hidrovia, de acordo com dados da Kpler - empresa que monitora o fluxo marítimo. Nesta quinta, o número caiu para 6.

Na quarta, a Organização Marítima Internacional informou que 6 mil marinheiros permanecem retidos no Golfo Pérsico. Em comunicado, a agência da ONU condenou a retomada das hostilidades no Estreito de Ormuz.

Na noite desta quarta-feira (8/7) as forças do Comando Central dos Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã, com o objetivo de reduzir a capacidade do país de atacar navios comerciais e marinheiros civis no Estreito. Segundo o comunicado emitido pelas forças americanas, a ação militar atingiu cerca de 90 alvos estratégicos ao longo da costa iraniana. 

Na noite anterior, na terça-feira (7/7), as forças já haviam bombardeado aproximadamente 80 alvos, incluindo mais de 60 pequenas embarcações do Corpo da Guarda da Revolução Islâmica. No total, foram 170 alvos em dois dias consecutivos de ataques.

Entre as estruturas destruídas ou danificadas estão sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira, locais de armazenamento de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura de logística militar.

O Irã retaliou os ataques americanos com ataques coordenados com drones contra instalações estratégicas dos Estados Unidos na região do Golfo Pérsico. Segundo o comunicado do Exército iraniano, as investidas atingiram sistemas de defesa aérea Patriot no Kuwait, uma antena de comunicação via satélite no Catar e depósitos de combustível militar do Exército americano no Bahrein.

A escalada militar ganhou um novo capítulo, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou durante uma coletiva de imprensa em Ancara, na Turquia, antes da cúpula da aliança da Otan, que o acordo de paz com Teerã “acabou”

"Para mim, acho que [o acordo de paz] acabou. Eu não quero mais lidar com eles [Irã]. Eles são a escória, são liderados por pessoas doentes e são um povo maldoso e violento. (...) Vou falar com meus negociadores, mas é uma perda de tempo lidar com eles. Até onde eu sei, acabou", declarou o presidente americano.