“O Irã foi essencialmente dizimado – a parte difícil já foi feita, então deve ser fácil, e de qualquer forma, quando este conflito terminar, o estreito se abrirá naturalmente, simplesmente se abrirá naturalmente”, disse Trump em um pronunciamento em horário nobre para a nação.
“Eles vão querer poder vender petróleo, porque é tudo o que eles têm para tentar se reconstruir”, acrescentou.
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Enquanto os preços da gasolina atingiram US$ 4 por galão pela primeira vez desde 2022 no início desta semana, o presidente tentou minimizar o aumento dos custos na quarta-feira, dizendo que a reabertura do estreito “retomará o fluxo e os preços da gasolina voltarão a cair rapidamente”.
Especialistas do mercado de energia disseram à CNN que encerrar a guerra sem reabrir o Estreito de Ormuz provavelmente não resolverá a crise energética.
Pedido aos aliados
Trump afirmou que os aliados dos EUA serão responsáveis por reabrir Ormuz, instando-os a "criar a coragem que ainda não demonstraram" e liderar uma operação para retomar o controle da importante via navegável.
"Vão até o estreito e simplesmente tomem posse dele, protejam-no, usem-no para vocês mesmos", disse ele durante um pronunciamento em horário nobre. "A parte difícil já foi feita, então deve ser fácil."
As declarações de Trump são o mais recente sinal de que ele planeja encerrar a guerra no Irã sem retomar o controle do estreito, que o regime iraniano efetivamente fechou há semanas, desencadeando uma crise energética global que elevou drasticamente os preços do petróleo e do gás.
Apesar do aumento dos custos de energia, Trump minimizou o impacto do fechamento do estreito nos EUA, alegando que o país não "precisa" utilizá-lo.
Ao mesmo tempo, ele insistiu que a rota marítima “simplesmente se abriria naturalmente” após a guerra — apesar das repetidas promessas do Irã de manter o fechamento total da hidrovia responsável pelo tráfego de aproximadamente 20% do petróleo mundial.
Embora Trump tenha dito que retomar o estreito será “fácil”, até mesmo as forças armadas americanas se mostraram relutantes em tentar escoltar petroleiros pela hidrovia devido à ameaça iraniana.
“Os países do mundo que recebem petróleo pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem”, disse Trump. “Eles devem valorizá-la.”
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.
(Com informações de Adam Cancryn, da CNN)