Economia Negócios
Seguro D&O auxilia na tomada de decisão de executivos
Proteção patrimonial e redução de riscos jurídicos tornam o seguro de responsabilidade civil uma ferramenta estratégica na gestão corporativa.
12/03/2026 13h51
Por: Robson Silva De Jesus Fonte: Agência Dino

Decisões estratégicas que antes se limitavam ao impacto financeiro das empresas hoje podem atingir diretamente o patrimônio e a reputação de seus administradores. Com a judicialização em alta e a regulação cada vez mais rigorosa, o Seguro de Responsabilidade Civil D&O (Directors and Officers) surge como peça-chave para equilibrar riscos e dar segurança à gestão corporativa.

Introduzido no Brasil no final da década de 1990, o D&O evoluiu sem regras próprias, sendo tratado apenas como uma modalidade de responsabilidade civil. Somente após o amadurecimento do mercado, a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) editou a Circular nº 541, de 2016, estabelecendo regras básicas de cobertura. Posteriormente, em 2017, a autarquia publicou a Circular nº 553, consolidando diretrizes gerais aplicáveis ao produto e reforçando sua importância no ambiente corporativo.

De acordo com Guilherme Silveira, CEO da Genebra Seguros, a ampliação do arcabouço regulatório e o fortalecimento dos mecanismos de fiscalização elevaram significativamente o grau de exposição pessoal de administradores. "Hoje, decisões estratégicas podem gerar não apenas impactos financeiros para a companhia, mas também consequências diretas para o patrimônio e a reputação de seus gestores", afirma.

Nesse contexto, o executivo ressalta que a possibilidade de responsabilização pessoal tornou a tomada de decisão mais criteriosa e documentada. "Gestores passam a exigir maior respaldo jurídico, pareceres especializados e análises estruturadas de risco antes de deliberar sobre temas sensíveis, como operações societárias, reestruturações financeiras, demissões em massa ou políticas de compliance", explica.

Silveira esclarece que o Seguro D&O atua como mecanismo de proteção patrimonial contra reclamações decorrentes de atos de gestão, cobrindo custos de defesa, honorários advocatícios, acordos e eventuais condenações relacionadas a alegações de erros, omissões ou falhas na condução dos negócios — desde que não haja dolo ou atos ilícitos intencionais.

"Essa proteção funciona como uma camada adicional de segurança jurídica. Ao saber que contam com respaldo securitário, os gestores podem exercer suas atribuições com maior tranquilidade", reforça.

A proteção também ganha relevância quando envolve decisões estratégicas de maior exposição a questionamentos de acionistas, credores ou órgãos reguladores. Segundo o CEO, fusões e aquisições, reorganizações societárias, processos de recuperação judicial, implementação de políticas de governança e compliance ou encerramento de operações são exemplos de situações em que o seguro oferece respaldo adicional.

"A atividade empresarial envolve risco por natureza. O seguro não elimina a responsabilidade do gestor, mas cria um ambiente de maior equilíbrio entre risco e proteção. Isso permite que a análise de oportunidades estratégicas seja conduzida com base em critérios técnicos e econômicos e não apenas pelo receio de exposição pessoal", enfatiza.

O D&O também integra práticas de governança corporativa e gestão de riscos. "Ele não substitui controles internos, auditorias ou programas de compliance, mas atua como mecanismo complementar de transferência de risco. Em estruturas mais maduras, é visto como parte da arquitetura de proteção institucional, ao lado de códigos de ética, regimentos internos e comitês independentes", avalia.

Além disso, Silveira ressalta que a contratação do seguro pode ser fator relevante para atração e retenção de talentos em posições estratégicas. "A crescente responsabilização de administradores, a atuação mais rigorosa de órgãos reguladores, o maior ativismo de acionistas e a ampliação de obrigações relacionadas a ESG fazem com que o seguro contribua para a estabilidade institucional da companhia", analisa.

Para o executivo, o seguro não deve ser encarado como incentivo à imprudência, mas como ferramenta para elevar a conduta, a diligência e a boa-fé corporativa. "Quando bem estruturado, o D&O reforça a profissionalização da gestão, estimula práticas transparentes e fortalece a cultura de responsabilidade", informa.

"Em um ambiente empresarial cada vez mais regulado e exposto a riscos reputacionais, trata-se de instrumento essencial para empresas que buscam crescimento sustentável e governança sólida", finaliza Silveira.

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