Política Eleições 2026
Flávio monta palanques no Rio, em SC e no DF
Com as bênçãos do pai e do partido, pré-candidato prioriza políticos bolsonaristas
26/02/2026 09h23
Por: Samuel Barbosa Fonte: Correio Braziliense

O Partido Liberal (PL) começou as negociações pré-eleitorais com indicação de nomes para as disputas majoritárias em todo o país. As articulações estão sendo comandadas pelo senador e pré-candidato a presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ), juntamente com outras lideranças que, segundo ele, incluem a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Nesta quarta-feira (25/2), a sigla definiu o cenário em Santa Catarina com o anúncio de uma chapa puro-sangue.

No Rio de Janeiro, para enfrentar o favorito das pesquisas — o atual prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD) —, o desenho da direita está praticamente fechado. O deputado Douglas Ruas (PL) foi escolhido como pré-candidato ao governo estadual, tendo como possível vice o prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP). Para o Senado, a articulação contempla o governador Cláudio Castro (PL) e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União). A avaliação interna é de que a composição ajuda a unificar a base bolsonarista no estado.

No Distrito Federal, a estratégia é apostar em dois nomes de peso da legenda para a disputa ao Senado. A construção em curso envolve a deputada Bia Kicis e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Integrantes do PL avaliam que a dobradinha reforça o eleitorado conservador na capital e mantém o protagonismo do partido em uma das principais vitrines políticas do país. Não há, porém, definição dos nomes para a disputa do GDF.

"Com relação ao apoio ao governo (do DF), a gente tem de conversar mais. A Michelle tem conversado muito com a atual (vice-) governadora (Celina Leão). Um passo de cada vez", disse Flávio, em entrevista coletiva, na saída da Papudinha. Flávio Bolsonaro visitou o pai na unidade prisional e renovou, ao sair, o apelo para que ele receba o benefício da prisão domiciliar.

Esperidião rifado

Depois do imbróglio envolvendo a composição com o PP, que apoia a reeleição do senador Esperidião Amin, o PL decidiu indicar a deputada Carol De Toni e o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro para a disputa ao Senado. Em entrevista, Flávio Bolsonaro revelou que conversou com Amin, na última terça-feira, e que a decisão tomada pela sigla atende aos critérios do que defende ser "melhor para o estado". "A escolha da Carol e do Carlos foi vista como uma pontapé importante para esse novo caminho que a direita tem dito de ter um Senado mais conservador", disse o senador, após elogiar os dois pré-candidatos.

A disputa no campo da direita pelas duas vagas ao Senado em Santa Catarina foi marcada pelo anúncio da pré-candidatura de Carlos Bolsonaro, que trocou domicílio eleitoral para o estado do Sul. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, havia, inclusive, anunciado que Caroline não disputaria a vaga, o que motivou uma mobilização de outros partidos para "acolhê-la" em sua pré-candidatura. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é uma das mais vigorosas apoiadoras de Carol.

Ontem, porém, ao comentar qual teria sido o fator decisivo para manter a deputada na disputa majoritária, Valdemar disse que nunca teve a intenção de "descartá-la" como pré-candidata ao pleito, mas que preferiria vê-la como candidata à vice-governadora. "Eu tinha outros planos, queria que ela fosse vice do Jorginho. Tinha pensado nisso pelo fato de ela ter sido mãe recentemente. Pensei que seria melhor para ela esse cenário, mas respeitamos a decisão de querer o Senado e entendemos que o público dela também anseia por isso", comentou Valdemar.

Carol De Toni chegou a receber convite do partido Novo para se filiar e disputar a vaga ao Senado caso o PL não mudasse de posicionamento, chegando a contar com o apoio do presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, que disse que o partido "estava pronto para recebê-la". A jornalistas, a parlamentar agradeceu o apoio recebido e enalteceu Michelle Bolsonaro, que, segundo ela, só não participou da reunião em decorrência à visita dela ao ex-presidente Jair Bolsonaro, na tarde de quarta-feira.

"Quero agradecer a todos e pela confiança do nosso governador Jorginho Mello, por estarmos juntos este ano em prol de Santa Catarina. Estou muito feliz e permanecerei no PL", disse a deputada.