favoravelmente aos descontos nos benefícios de 34.487 aposentados, em favor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
A Polícia Federal acusa Virgílio de receber R$ 11,9 milhões de empresas ligadas às entidades que fraudaram o INSS. Desse montante, pelo menos R$ 7,5 milhões vieram de firmas do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. A PF também identificou um aumento patrimonial de Virgílio da ordem de R$ 18,3 milhões.
Como mostrou a coluna, as aquisições do procurador e de sua mulher incluíram um apartamento de R$ 5,3 milhões em Curitiba (PR), comprado após ele se tornar alvo da PF. A mulher dele chegou a reservar um apartamento de R$ 28 milhões na Senna Tower, em Balneário Camboriú (SC).
Já André Fidelis foi diretor de Benefícios do INSS em 2023 e 2024. Ele é acusado de receber pagamentos das entidades para permitir os descontos automáticos na folha dos aposentados.
Segundo o relator da CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), André Fidelis foi o diretor que mais “concedeu acordo de cooperação técnica (ACT) da história do INSS”. Na gestão dele, foram habilitadas 14 entidades, que descontaram R$ 1,6 bilhão dos aposentados.
Lulinha nega conhecer delatores ou ter participado da Farra do INSS
Após a publicação da reportagem, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva enviou nota em que nega conhecer Virgílio Filho ou André Fidelis. O texto diz ainda que Lulinha “jamais teve com eles qualquer tipo de relação, financeira, pessoal ou profissional”. “Fábio não tem relação com as fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa”, diz o texto, que é assinado pelo advogado Guilherme Suguimori Santos.
Leia abaixo a íntegra da nota de Fábio Luís:
“Recebemos com surpresa a matéria veiculada no Metrópoles afirmando que um ex-procurador e um ex-diretor do INSS teriam fechado acordo de delação premiada, delatando “Fábio Luís Lula da Silva e políticos do Centrão”.
A matéria não informa nenhum dado concreto sobre o que teria sido delatado nem qual seria a suposta e alegada participação de Fábio, o que impede qualquer esclarecimento além do fato de que Fábio Luís não conhece esses indivíduos e jamais teve com eles qualquer tipo de relação financeira, pessoal ou profissional. Fábio não tem relação com as fraudes do INSS, não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa.
As negociações de acordos de delação são sigilosas por previsão legal e jurisprudencial, tornando inverificável a sua existência — factóide que foi negado pela defesa de um dos supostos delatores — bem como a confirmação de seu conteúdo, que foi meramente mencionado sem apresentação de fatos ou detalhes. A publicação desse dado vazio na véspera de sessão da CPMI, que notoriamente vem discutindo medidas relativas a Fábio Luís naquele procedimento, será fatalmente utilizada para fins políticos antes de sua confirmação, escancarando a irresponsabilidade de setores com interesses específicos e políticos.
Lamentamos que, mais uma vez, o nome de Fábio Luís Lula da Silva esteja sendo utilizado indevidamente, com interesses escusos, em mais uma tentativa de atingir indiretamente o governo. Todas as afirmações levianas do passado se comprovaram falsas, o que ocorrerá também neste caso.
Finalmente, reitero que, diante da incessante campanha midiática reproduzindo dados parciais e sigilosos de uma investigação em andamento, entendi ser necessário requerer ao STF acesso à investigação, tendo Fábio se colocado à disposição daquele Tribunal para prestar qualquer esclarecimento eventualmente necessário após ter conhecimento do que existe (ou não existe) naqueles autos — acesso esse que ainda não lhe foi concedido, o que impede qualquer outra manifestação neste momento, uma vez que trabalhamos com fatos e provas, não com o combate a conjecturas inverificáveis”.