O Irã ameaçou atacar bases militares dos Estados Unidos, assim como outras instalações norte-americanas no Oriente Médio, caso o país persa seja alvo de ações militares. A declaração, que eleva o nível de tensão entre Washington e Teerã, aconteceu nesta quinta-feira (19/2).
Em uma carta enviada para o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, a diplomacia iraniana disse buscar uma solução pacífica para o impasse nas negociações nucleares com os EUA. O representante permanente do Irã na ONU, porém, advertiu que o país está pronto para se defender.
“No caso de a República Islâmica do Irã ser sujeita a agressão militar, responderá de forma decisiva e proporcional no exercício do seu direito inerente de autodefesa nos termos do Artigo 51 da Carta das Nações Unidas”, escreveu o embaixador iraniano Amir Saeid Iravani. “Em tais circunstâncias, todas as bases, instalações e ativos da força hostil na região constituiriam alvos legítimos no contexto da resposta defensiva do Irã”.
Horas antes da correspondência enviada para a ONU, Donald Trump voltou a ameaçar o Irã. Durante a primeira reunião do Conselho de Paz sobre a Faixa de Gaza, o líder norte-americano afirmou que o país comandado pelo aiatolá Ali Khamenei pode ser atacado em 10 dias, caso não aceite um acordo com os EUA.
As declarações de Trump e da diplomacia iraniana coincidem com as recentes tratativas envolvendo o programa nuclear do Irã.
Iniciadas em abril do último ano — e interrompidas depois da guerra de 12 dias entre Irã e Israel — as negociações entre Washington e Teerã foram retomadas no início do mês. Elas giram em torno da capacidade nuclear do país persa, vista pela administração Trump como um risco para a segurança nacional dos EUA.
A última rodada de conversas aconteceu na última terça-feira (17/2) em Genebra, Suíça, sem grandes avanços.
Um dos principais pontos que tem dificultado a implementação de um acordo nuclear entre os dois países é o possível fim enriquecimento de urânio por parte do Irã. Na visão de Teerã, enriquecer a matéria-primeira de armas nucleares é um direito legítimo do país, desde que seu objetivo final seja para uso civil.
Já os EUA argumentam, há alguns anos, que os estoques de urânio enriquecido indicam que o Irã pretende construir uma bomba atômica — o que é proibido por decreto religioso emitido por Khamenei no início dos anos 2000 que proíbe o desenvolvimento de armas de destruição em massa no país islâmico.