A comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), coronel Ana Paula Habka, afirmou que a corporação “jamais vai admitir interferências em suas ocorrências”. A afirmação vem dias após o deputado distrital Fábio Félix (PSOL-DF) levar um jato de spray de pimenta no rosto durante o bloco Rebum.
A confusão que envolveu o parlamentar começou momentos após a prisão da coordenadora do Bloco Rebu, Dayse Hansa, na tarde de segunda-feira (16/2). A coronel classificou a ação dos PMs como “legítima”.
Segundo a PMDF, a mulher teria tentado impedir uma ação policial durante a prisão de duas pessoas que estavam com drogas no bloco. Os entorpecentes foram localizados por cães farejadores. A ação resultou na apreensão de uma pequena quantidade de maconha e um baseado.
“Os policiais detectaram a droga, e a polícia foi agir, fazer a prisão, visto que dois indivíduos estavam cortando e supostamente negociando essa droga. Então, a polícia estava em uma ação legítima. Em relação à condução ao deputado, isso será apurado, com certeza”, destacou a comandante-geral.
A declaração foi feita durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (18/2) que apresentou um balanço sobre o Carnaval.
O secretário de Segurança Pública (SSP-DF), Sandro Avelar, também complementou: “É preciso que a gente lembre que, enquanto todos estão curtindo o carnaval e se distraindo, as corporações estão trabalhando. Farda não é fantasia”.
Em nota enviada na tarde desta quarta, o distrital disse que as declarações da comandante da PMDF “não correspondem ao que aconteceu na última segunda-feira”.
“O que houve é claro: eu fui acionado por artistas, produtores culturais e foliões que presenciaram a abordagem truculenta e a prisão arbitrária de duas produtoras mulheres, entre elas uma organizadora do bloco. Me dirigi ao bloco na condição de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do DF, função que exerço há sete anos”, disse.
Segundo ele, ao chegar ao local, “as produtoras já tinham sido levadas à delegacia”. “[Nem] sequer tive a oportunidade de conversar com elas. A ação já tinha sido finalizada. É mentirosa a afirmação de que eu teria atrapalhado a atuação dos policiais”, acrescentou.
Ele acrescentou que se aproximou dos policiais em busca do comandante da operação, “de forma respeitosa e para dialogar”, quando foi “ameaçado, atacado com spray de pimenta e empurrado”. Ele também nega ter agredido ou destratado qualquer policial.
“Vamos exigir a responsabilização dos policiais envolvidos e vamos até o fim na cobrança pela investigação das condutas, inaceitáveis contra qualquer pessoa, seja ela parlamentar ou não”, concluiu.
O porta-voz da Polícia Militar do DF, Major Raphael Broocke, afirmou em entrevista que o uso do spray de pimenta no deputado distrital “ocorreu após o parlamentar encostar em um PM que fazia uma barreira”. O caso está em investigação para apurar a conduta dos envolvidos.