Com a chegada do carnaval, o alerta das forças de segurança vai além do combate à embriaguez ao volante e abrange também o reforço no policiamento e na proteção às mulheres durante a folia. Os números preocupam: segundo a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), no ano passado foram registradas 428 ocorrências de embriaguez ao volante — alta em relação às 375 contabilizadas em 2024. Para 2026, o planejamento inclui fiscalização intensificada nas vias, ações educativas e estruturas específicas de acolhimento, com o objetivo de garantir uma festa mais segura, tanto nas estradas quanto nos blocos.
Ao Correio, o Detran-DF informou que estão programadas 30 operações do tipo blitz, 40 patrulhamentos ostensivos com abordagens, 20 operações de estacionamento irregular e 120 pontos de demonstração. O Coordenador de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Detran-DF, Bruno Baruque, comentou sobre a prática de misturar bebida e direção. "Nossa mensagem é direta: tolerância zero", frisou. Ao Correio, ele afirmou que a expectativa da autarquia é zerar as fatalidades. "Queremos chegar na quarta-feira de cinzas sem nenhuma fatalidade", acrescentou.
O Tenente-Coronel Carmo, do batalhão de Trânsito da PMDF, também enfatizou o perigo de misturar bebida e direção. "Álcool e direção não combinam. Mesmo pequenas quantidades de bebida comprometem os reflexos e colocam vidas em risco", pontuou. Se o perigo à vida não for suficiente para conscientizar o motorista, o militar relembra que a prática também dói no bolso. "Dirigir sob o efeito de álcool, em qualquer quantidade, é infração de trânsito gravíssima, com multa de R$2.934,70, além da suspensão por 12 meses da CNH", afirmou.
Com expectativa de aumento no fluxo de veículos e foco na redução de mortes nas estradas, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) inicia a Operação Carnaval 2026 — com atenção especial às infrações mais associadas a sinistros graves e fatais, como direção sob efeito de álcool, excesso de velocidade e ultrapassagens em locais proibidos. A fiscalização será intensificada principalmente nas BR-040, BR-060 e BR-020, principais ligações do DF com outros estados.
A expectativa é que o movimento nas rodovias aumente significativamente, exigindo atenção redobrada de quem vai pegar a estrada para aproveitar o feriado. A PRF reforça que é fundamental respeitar os limites de velocidade e a sinalização. O uso do cinto de segurança é obrigatório para todos os ocupantes, e crianças devem ser transportadas em dispositivos adequados à idade e ao peso.
A segurança também será reforçada pela PMDF. De acordo com a comandante-geral da corporação, coronel Ana Paula Habka, o efetivo policial nas ruas foi incrementado com dois mil policiais trabalhando por dia nas ruas durante o Carnaval, com estratégias de policiamento ostensivo e atuação integrada.
Ao todo, 15 drones estarão nas ruas para ajudar neste trabalho. "O esquema é focado na proteção, prevenção e resposta rápida", explicou a comandante-geral. "Os drones têm câmera termal e conseguem ser utilizados tanto de dia quanto à noite para ajudar a mapear o que está acontecendo nos blocos em tempo real", informou.
Os equipamentos de reconhecimento facial servirão para reconhecer algum foragido com mandado de prisão que esteja passando pelos blocos. "Caso alguém seja identificado, será possível chamar um policial ou uma viatura mais próxima para efetuar a prisão", disse a comandante.
Além disso, a PMDF também fará a campanha de identificação infantil. A Carteirinha de Identificação pode ser baixada no site da PMDF e impressa para ser anexada à roupa da criança ou utilizada como crachá. O documento tem espaço para colocar o nome da criança e o telefone de contato dos responsáveis. Além das carteirinhas, a PMDF estará em pontos estratégicos de blocos infantis realizando a identificação das crianças por meio de pulseiras.
Pela primeira vez, a PMDF vai colocar nas ruas uma van itinerante exclusiva para atender mulheres que tenham sofrido violência de gênero durante o carnaval. A plataforma foi chamada de Sala Lilás. "A mulher vai ter oportunidade, caso se sinta vulnerável, violentada ou importunada, de ser encaminhada a essa sala. É só pedir para qualquer policial militar", detalhou Ana Paula Habka.
Colaborou Ana Carolina Alves