Economia Negócios
Projeto leva coleta de lixo eletrônico aos bairros
Iniciativa da Ecobraz Emigre redireciona investimentos corporativos de ESG para a coleta porta a porta de resíduos eletrônicos, enfrentando o desca...
05/02/2026 17h15
Por: Robson Silva De Jesus Fonte: Agência Dino

Um levantamento do monitoramento global de resíduos eletrônicos da Organização das Nações Unidas (ONU), noticiado pelo Cultura I UOL, aponta que o planeta produziu 62 milhões de toneladas de equipamentos descartados em 2022.

O volume corresponde a um crescimento de 82% em comparação com os dados registrados em 2010. Para 2030, a projeção da ONU indica que a geração de lixo eletrônico pode alcançar 82 milhões de toneladas.

Diante da crescente produção desse tipo de resíduo, a Ecobraz Emigre, ONG especializada em serviços socioambientais focados em educação, conscientização e gestão responsável de resíduos eletrônicos, lançou o projeto Adote um Bairro, com o objetivo de redirecionar investimentos corporativos de ESG para ações de impacto direto, mensurável e auditável nas comunidades urbanas.

A iniciativa viabiliza a coleta porta a porta de lixo eletrônico nas residências, enfrentando o que a empresa identifica como um "déficit logístico" na destinação correta desses materiais no ambiente B2C (Business-to-Consumer).

"Percebemos que as estratégias tradicionais de ESG muitas vezes focam em projetos distantes, como o plantio de árvores em biomas remotos que, embora importantes, têm um impacto que o consumidor e o funcionário da empresa não conseguem ver ou tocar de imediato. O Adote um Bairro se propõe a preencher essa lacuna ao trazer o investimento para o ambiente urbano, gerando um resultado visível e auditável onde a empresa e seus stakeholders realmente convivem", explica Silvana Leite, diretora de parcerias e novos negócios da Ecobraz.

ESG de proximidade e financiamento corporativo

Na prática, o chamado ESG de Proximidade se traduz em investimentos corporativos que viabilizam a retirada de contaminantes e a logística reversa diretamente nas ruas e bairros onde a empresa está inserida, promovendo impacto ambiental e social perceptível no próprio território de atuação.

"A diferença fundamental é a tangibilidade: enquanto outras ações prometem resultados para daqui a 20 ou 30 anos em locais isolados, o ESG de Proximidade limpa a cidade, evita a contaminação do solo urbano e permite que a comunidade local perceba o benefício da marca em tempo real", detalha a diretora.

O projeto Adote um Bairro também busca responder às exigências crescentes por estratégias ESG mais concretas e mensuráveis ao entregar resultados quantificáveis por peso de material coletado, volume de metais pesados desviados de aterros e redução da pegada de carbono logística.

"É uma resposta direta ao combate ao greenwashing, pois cada quilo de eletrônico coletado é rastreável e gera um impacto ambiental positivo que pode ser auditado imediatamente após a execução", frisa Silvana Leite.

Por meio de cotas de patrocínio vinculadas às estratégias ESG, grandes empresas passam a custear a operação em áreas previamente definidas. Com isso, a Ecobraz Emigre realiza a coleta domiciliar sem custos para a população, assegurando que os resíduos eletrônicos tenham destinação adequada e não acabem em aterros sanitários ou em descartes irregulares.

Silvana Leite destaca que o patrocínio das empresas, por meio das cotas da Ecobraz, é o que subsidia o custo logístico da coleta porta a porta, geralmente operacionalmente onerosa. Assim, o serviço torna-se gratuito para o cidadão.

"Como contrapartida, as empresas recebem dados auditáveis para seus relatórios de sustentabilidade, certificados de destinação final adequada, além de uma ferramenta de branding e relacionamento com a comunidade, posicionando a marca como uma agente ativa na saúde ambiental do bairro", analisa.

De acordo com a pesquisa Resíduos Eletrônicos no Brasil 2025, realizada pela Green Eletron em parceria com o instituto Radar Pesquisas, 32% da população guarda em casa algum aparelho sem uso e 43%, afirma não saber como descartá-los de maneira correta.

Ainda segundo o levantamento, 30% dos entrevistados consideram o processo de descarte correto como "trabalhoso", enquanto 21% acredita que deveria haver coleta domiciliar. As informações são do site da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica.

Prevenção da contaminação e economia circular

A especialista da Ecobraz Emigre reforça que um dos principais ganhos esperados com a implementação do projeto nos bairros atendidos é a prevenção da contaminação ambiental. A iniciativa busca evitar que componentes tóxicos, como chumbo, mercúrio e cádmio, cheguem aos lençóis freáticos e aos solos urbanos.

"Promovemos a Economia Circular, com o objetivo de garantir que esses materiais retornem à cadeia produtiva como matéria-prima, reduzindo a necessidade de mineração. Também otimizamos a logística local, o que diminui a emissão de CO₂ em comparação com descartes descentralizados e ineficientes", pontua.

Tecnologia, rastreabilidade e transparência da operação

Para garantir a viabilidade técnica e a transparência da operação, o projeto utiliza o Ecobraz Carbon Token exclusivamente como uma ferramenta de utilidade (utility token) para financiar e registrar o déficit logístico.

"Além disso, nossa parceria estratégica com os Correios permite que essa capilaridade alcance qualquer endereço, transformando o conceito de ‘cidade inteligente’ em uma realidade prática e sustentável para as grandes corporações brasileiras", finaliza a diretora de parcerias.

Para mais informações sobre o projeto Adote um Bairro, basta acessar: https://ecobrazinforma.org/conteudo/14/parceria-estrategica-esg-ecobraz