Polícia Vitímas do Anchieta
Professora, carteiro e servidor: quem são as vítimas de possíveis assassinatos em hospital do DF
Três pacientes morreram após piora súbita na UTI, em novembro e dezembro de 2025. Inquérito da Polícia Civil aponta aplicação irregular de substâncias por técnicos de enfermagem.
19/01/2026 18h40
Por: Samuel Barbosa Fonte: Notícia Certa

As mortes de três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, passaram a ser investigadas pela Polícia Civil do Distrito Federal após indícios de aplicações irregulares de substâncias feitas por técnicos de enfermagem.

Os óbitos ocorreram em 17 de novembro e 1º de dezembro de 2025. As vítimas tinham idades, histórias e quadros clínicos diferentes, mas, segundo os investigadores, todas apresentaram piora súbita pouco antes da morte.

Familiares e amigos das vítimas confirmaram as identidades ao g1São investigadas as mortes de:

Um técnico de enfermagem de 24 anos é o principal suspeito de aplicar doses letais de um medicamento nas vítimas. Ele também teria injetado desinfetante em uma delas.

Duas técnicas, de 22 e 28 anos, são investigadas por ajudar e acobertar a conduta do colega em duas das mortes.

Os nomes dos três ex-funcionários do Hospital Anchieta não foram divulgados. A Polícia Civil também manteve em sigilo o nome das substâncias usadas de forma irregular.

  • Morte em 17 de novembro de 2025

Professora aposentada da rede pública do Distrito Federal, Miranilde Pereira da Silva tinha 75 anos e morava em Taguatinga. Segundo o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), ela atuou por anos na Regional de Ensino de Ceilândia, na Escola Classe 03.

“Sua dedicação, sensibilidade e cuidado marcaram a trajetória de inúmeras crianças e fortaleceram a escola pública como um espaço de afeto, aprendizagem e cidadania”, afirmou o sindicato em nota divulgada no dia da morte.

Segundo a Polícia Civil, Miranilde teria recebido quatro aplicações de um medicamento, e, após cada uma, apresentou parada cardíaca, sendo submetida a manobras de reanimação.

Como a paciente não morreu, o inquérito diz que o técnico de enfermagem aplicou mais de dez doses de um desinfetante, retirado de um frasco que ficava na própria UTI.

O produto era aspirado com uma seringa e aplicado diretamente na veia da paciente.

Miranilde foi enterrada no dia 19 de novembro, no Cemitério Campo da Esperança. Ela deixou três filhos, uma filha, duas netas e cinco netos, segundo o Sinpro.

Os três suspeitos presos respondem por esse homicídio.

João Clemente Pereira

João Clemente Pereira, de 63 anos — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

📅 Morte em 17 de novembro de 2025

João Clemente Pereira tinha 63 anos, morava no Riacho Fundo I e era servidor público da Caesb, onde trabalhava como supervisor de manutenção.

De acordo com a Polícia Civil, ele recebeu duas aplicações de um medicamento de forma irregular. Neste caso, dois suspeitos respondem pelo homicídio.

A família conta que, até meados de janeiro, acreditava que a morte havia ocorrido por causas naturais. Na última sexta-feira (17), foi comunicada sobre a investigação criminal e a possibilidade de homicídio.

Em nota, os familiares manifestaram “profundo pesar e indignação” e afirmaram que a UTI deveria ser um ambiente de “cuidado máximo e proteção à vida”. Disseram ainda que adotarão todas as medidas legais cabíveis, inclusive na esfera cível.

Marcos Raymundo Fernandes Moreira

Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

📅 Morte em 1º de dezembro de 2025

A terceira vítima é o carteiro Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, morador de Brazlândia. Ele era funcionário dos Correios e trabalhava no Centro de Distribuição Domiciliar (CDD) da região.

Segundo a investigação, Marcos recebeu uma aplicação irregular de substância. Assim como no caso do servidor de 63 anos, dois suspeitos respondem pelo homicídio: um técnico e uma técnica de enfermagem.

Em nota de pesar, o Sintect-DF comunicou a morte do carteiro e prestou solidariedade aos familiares e colegas de trabalho. O velório ocorreu no dia 2 de dezembro, no Cemitério Campo da Esperança de Brazlândia.

Investigação continua

*Com informações do G1