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Em campanha por Trump, Bolsonaro adere à ofensiva anti-China dos Estados Unidos

O Brasil recebe nesta terça-feira (20), delegação chefiada pelo conselheiro de segurança de Trump, Robert O'Brien, que vem intensificar a campanha anti-China contra o principal parceiro comercial e maior investidor no país. No centro da ofensiva está a tecnologia chinesa do 5G. Os EUA querem que gigante tecnológica Huawei seja banida do Brasil

20/10/2020 08h07
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Por: DILMAN LIMA
Em campanha por Trump, Bolsonaro adere à ofensiva anti-China dos Estados Unidos

O governo de Jair Bolsonaro dá nesta terça-feira seu passo mais perigoso em política externa. Ao receber Robert O'Brien, o conselheiro de segurança do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e discutir com ele sobre o eventual banimento da gigante tecnológica chinesa, o Brasil se envolve totalmente na ofensiva anti-China da superpotência do norte, o que pode abrir uma crise diplomática com o principal parceiro comercial e maior investidor externo do país, prejudicando os interesses nacionais.

O chefe de segurança de Trump chegou ao Brasil para participar do anúncio de um pacote comercial entre os dois governos às vésperas das eleições americanas.

Mas o objetivo principal da agenda de O'Brien, que terá nesta terça-feira (20) audiências com Jair Bolsonaro e o ministro Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional é promover  no Brasil a campanha anti-China, prioritária na política externa dos Estados Unidos. 

Reportagem de Ricardo Della Coletta, Fábio Pupo e Gustavo Uribe na Folha de S.Paulo informa que a principal missão de O'Brien no Brasil é envolver o país na briga dos EUA para "reduzir a influência global da China e ainda barrar a empresa Huawei do mercado de 5G". A alegação do governo Trump é que a empresa chinesa não oferece garantias de segurança e privacidade. 

Fazem parte da delegação estadunidense, além de O'Brien, o vice-representante de Comércio dos EUA, Michael Nemelka, a presidente do Eximbank (Banco de Exportação e Importação), Kimberly Reed, e a diretora do banco estatal de fomento DFC (U.S. International Development Finance Corporation), Sabrina Teichman.

Os dois países assinarão três protocolos comerciais, voltados para as áreas de "facilitação de comércio", "boas práticas regulatórias" e "combate à corrupção".

 

No fundo, porém o verdadeiro objetivo da delegação é integrar o Brasil na ofensiva americana para impedir a participação da Huawei na rede de 5G do Brasil.

O banimento da Huawei trará prejuízos ao Brasil e custará caro ao consumidor brasileiro. Sem a Huawei, a evolução da tecnologia de quinta geração demoraria até quatro anos para ser iniciada porque as teles teriam de trocar todos os equipamentos, que não conversam com o 5G dos concorrentes. Isso tornaria a evolução da telefonia mais cara para os brasileiros.

Os Estados Unidos querem que o Brasil e outros países coloquem travas para que a Huawei não forneça equipamentos para a nova geração de tecnologia de telecomunicações. O leilão de frequência no Brasil deve ocorrer no ano que vem.

 

reportagem informa que tema será abordado deve nos encontros de O'Brien com Bolsonaro e com o general Heleno, chefe do GSI.

O banimento da Huawei criará problemas diplomáticos e comerciais com a China, o principal parceiro comercial do Brasil. Essa preocupação já foi demonstrada tanto pela ministra da Agricultura como pelo general Hamilton Mourão, vice-presidente da República. 

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